Meu emprego aqui no Gizmodo é o máximo. Em parte porque posso trabalhar em casa ou em qualquer lugar com internet. Graças a isso, pude experimentar recentemente a realidade de trabalhar em um espaço de coworking, um conceito que há muito me interessava. Não sem algumas ressalvas, mas posso dizer que adorei.

O que é coworking?

Hoje em dia há toda uma classe de trabalhadores autônomos, como eu, que simplesmente não existia em gerações passadas, antes da internet. Essas pessoas trabalham geralmente em casa, muitas delas sozinhas. Eu sou um ótimo exemplo vivo dessa realidade: com este emprego, morando sozinho, e não estando matriculado em nenhum curso ou coisa parecida, eu posso tranquilamente passar 100% do meu tempo sem contato com outro ser humano. Mas isso, obviamente, não é legal.

Mesmo um bate-papo casual com um colega ao redor de um bebedouro tem potencial para gerar alguma ideia, dar uma nova perspectiva a respeito de alguma coisa ou te expôr a algum fato ou acontecimento que passaria longe do seu radar. Aquela nova geração de trabalhadores autônomos e freelancers começou a sentir falta dessa dinâmica, e os primeiros espaços de coworking foram criados.

Essencialmente, estamos falando de um escritório compartilhado – embora o clima muitas vezes se aproxime ao de um hostel cheio de jovens. Já que eu posso trabalhar em qualquer lugar, por que não me juntar com outras pessoas nessa mesma situação? Todos trabalham individualmente, cada um “no seu quadrado”, mas em um mesmo espaço, o que abre possibilidades de interação e crescimento para todos.

Obviamente, trabalhar dessa forma não é algo praticável para boa parte das pessoas, cujas funções precisam ser realizadas sob o teto da empresa, mas é uma ideia interessantíssima para quem tem essa possibilidade.


Dei sorte de ir num dia em que só tinha mulher (os dois caras são os donos do lugar).

Como foi a minha experiência

Semana passada eu passei um dia trabalhando no CWPOA, um dos novos espaços de coworking da cidade de Porto Alegre. Um amigo meu é sócio do lugar e me convidou para conhecer. Sem entrar em especificidades sobre a infraestrutura do lugar (que é ok), posso dizer que foi uma experiência interessante.

Em primeiro lugar, posso dizer que exige ainda mais foco e força de vontade do que trabalhar em casa. Eu perdi menos tempo procrastinando em Facebooks e Twitters, mas ao mesmo tempo subitamente me vi rodeado de pessoas entrando e saindo, muitas das quais eu queria conhecer. Papos acontecendo ao meu redor, e eu resistindo à vontade de largar o que estivesse fazendo para entrar neles, seja para contribuir ou para aprender sobre alguma coisa.

Em alguns desses papos eu obviamente entrei, e nessas pude apresentar o Flow a um pessoal que estava precisando de um bom gerenciador de tarefas para a sua equipe. Em outro momento, fiquei sabendo de lugares legais para sair em Porto Alegre e fui convidado para uma noite de poker. Nada disso teria acontecido se eu estivesse trabalhando em casa. Este próprio texto não teria motivo de existir se eu não tivesse me aberto para a experimentação de trabalhar um dia nesse tipo de ambiente.

É claro que nem tudo é perfeito. É necessária alguma dose de adaptabilidade para se acostumar a uma cadeira diferente, uma mesa diferente, uma geladeira que não tem as coisas que você gosta de comer à tarde e um banheiro compartilhado. É necessário um bom par de fones de ouvido e uma vasta biblioteca musical para quando você não quiser ouvir os papos ao redor. E, obviamente, é necessário algum investimento financeiro.

Onde e quanto?

Há espaços de coworking em diversas grandes cidades brasileiras (veja abaixo), e cada um tem o seu preço e seus planos. Geralmente é salgado. Se eu quisesse trabalhar todos os dias no CWPOA, por exemplo, teria que contratar um plano de R$ 500 mensais; ou R$ 300, se fosse me contentar com meio período. E olha que ele é um dos mais baratos entre os que eu já pesquisei. É preciso se perguntar se a sua produtividade vai aumentar o bastante, se a mera possibilidade de novas oportunidades vale o investimento.

Em São Paulo, existem espaços que vão de R$ 190 a mais de R$ 1000 mensais, dependendo da sua necessidade. Alguns, como o The Hub, têm tanta procura que realizam um processo de seleção antes de disponibilizar um espaço.

A Wikipédia tem uma lista com diversos endereços de espaços, para que você possa se informar, caso tenha despertado o interesse.

São Paulo
Beans! Coworking – coworking.beans.net
Pto de Contato – www.ptodecontato.com.br
2Work Coworking – www.2work.com.br
The Hub – www.the-hub.com.br
JuntoSP – www.juntosp.wordpress.com
Estúdio Capanema – www.estudiocapanema.com.br
VBA Coworking – www.vba.com.br/coworking
Rede Mulher Empreendedora – www.redemulherempreendedora.com.br

Campinas
2Work Coworking Campinas – www.2work.com.br
LibertyWork Coworking – www.libertywork.com.br

Minas Gerais
Coolwork – www.coolwork.com.br
CWK Coworking – www.cwk.com.br

Rio de Janeiro
BeesOffice Espaço de Coworking – www.beesoffice.com
Officina Espaço de Coworking – www.officinacw.com.br

Curitiba
Aldeia Coworking – www.aldeiaco.com.br
NEX Coworking – www.nexcoworking.com.br

Porto Alegre
Cuento Coworking – www.cuento.cc
CWPOA Coworking – www.cwpoa.com.br
Usina Interativa Coworking – www.usinainterativa.com.br
Nós Coworking – www.noscoworking.com.br

Piauí
Quilombo Coworking – www.quilombo.srv.br

E você? Já teve a experiência de coworking? Gostaria de ter? Acha que os preços estão de acordo com a realidade do freelancer brasileiro em geral? Vamos conversar a respeito.

Se você conhece mais algum que não está nesta lista, não deixe de mencionar também.