Espécies bravas de mini-peixes bagres são descobertas em riacho de MG

Mini-peixes bagres têm até 5 cm e dentes fora da boca, o que permite que escalem as pedras de cachoeiras, rios e riachos com as presas
Espécies bravas de mini-peixes bagres são descobertas em riacho de MG
Imagem: MDPI/Reprodução

Pesquisadores descobriram duas novas espécies de mini-peixes bagres que parecem só existir em um riacho no município de Veríssimo, no Triângulo Mineiro, a 520 km de Belo Horizonte (MG). 

As espécies são do gênero Trichomycterus e têm um físico que chama a atenção: esses animais de até 5 cm têm dentes fora da boca, o que permite com que escalem as pedras de cachoeiras, rios e riachos. 

A escalada acontece em movimentos de zigue-zague e, por isso, costumam ser os únicos peixes encontrados nos rios que ficam em cima das quedas d’água. 

Essa característica, somada às feições externas e ósseas, os distinguem de outros peixes do mesmo gênero. Por causa disso, receberam o nome de Trichomycterus uberabensis e Trichomycterus coelhorum, em reconhecimento às novas espécies. 

“Muitas dessas espécies são extremamente parecidas com outras já descritas caso se olhe rapidamente”, disse Alex Katz, um dos pesquisadores que atuou na identificação, ao G1. “No entanto, com um olhar mais detalhado vê-se a diferença”. 

“Desde o início havia a suspeita de que poderiam ser provavelmente novas, com o local e com a aparência desses bagres já se pode levantar a suspeita de serem novas, que veio a ser provada após estudos feitos no laboratório”, completou. 

Katz e Valter Azevedo-Santos, que atuam na área de Zoologia, integram uma pesquisa em conjunto com cientistas da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), Faculdade Eduvale de Avaré e UFT (Universidade Federal do Tocantins). 

Veja as novas espécies de peixes 

Até a nova descoberta, a família dos peixes-bagres, como são conhecidos, reunia 180 espécies. O mais comum é encontrar esses animais em águas correntes, com temperaturas baixas e muito oxigenadas. 

Eles também tendem a ficar entre as folhas de plantas nas margens, próximos a raízes ou dentro de folhagens no fundo dos rios. De modo geral, as espécies do gênero Trichomycterus não passam dos 6 cm de comprimento. Veja como eles são: 

  • Trichomycterus coelhorum: é diferente das demais espécies por ter menos raios dorsais na nadadeira da cauda, menos vértebras e menos dentes. Tem coloração amarela, com uma faixa escura marrom e preta e pontos pretos pelo corpo. 
Espécies bravas de mini-peixes bagres são descobertas em riacho de MG

Espécie Trichomycterus coelhorum, descoberta em riacho no Triângulo Mineiro. Imagem: MDPI/Reprodução

  • Trichomycterus uberabensis: não possui nadadeira pélvica, tem menos vértebras e mais dentes em sua arcada. O padrão de coloração inclui pequenas manchas escuras, marrons e negras. O nome “uberabenses” faz referência à bacia do Rio Uberaba. 
Espécies bravas de mini-peixes bagres são descobertas em riacho de MG

Espécies Trichomycterus uberabensis, descobertas em riacho do Rio Uberaba. Imagem: MDPI/Reprodução

Segundo os pesquisadores, esses mini-peixes bagres são particularmente sensíveis à extinção. Isso porque vivem em localidades de drenagem e estão suscetíveis a grandes intervenções humanas. 

Julia Possa

Julia Possa

Jornalista e mestre em Linguística. Antes trabalhei no Poder360, A Referência e em jornais e emissoras de TV no interior do RS. Curiosa, gosto de falar sobre o lado político das coisas - em especial da tecnologia e cultura. Me acompanhe no Twitter: @juliamzps

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