Como você joga fora seu lixo? Provavelmente você não usa um cartão magnético para ativar a lixeira do bairro, que guarda os detritos num enorme contêiner subterrâneo. Mas é assim que será no futuro. Na verdade, já é assim em São Paulo.

A coleta mecanizada já existe em algumas cidades brasileiras, como Itu (SP) e Caxias do Sul (RS). Basicamente, você joga o lixo em contêineres na rua, em vez de deixá-los na lixeira da sua calçada – ou pior, na rua. Aí chega o caminhão de lixo, pega o contêiner de forma (semi-)automática, e leva o lixo embora.

Mas na cidade de São Paulo, a coleta high-tech vai além: no condomínio Nova União, na zona norte, o contêiner de lixo é tão gigante que fica enterrado na calçada. Ele comporta até 20m³ de detritos, e tem um sistema para compactar o lixo. A solução se chama Bigtainer, e foi criada pela portuguesa TNL.

Acima do contêiner ficam as lixeiras, que se abrem com um cartão magnético distribuído para os moradores jogarem seu lixo. Você fecha a lixeira manualmente. E quando o contêiner estiver cheio? O Jornal da Tarde explica o que acontece:

O lixo é depositado no contêiner subterrâneo, que possui sensores para medir sua capacidade. Quando estiver quase cheio, um sinal é enviado à central da Loga e um caminhão é direcionado ao local. É preciso só apertar um botão de um controle remoto para acionar o levantamento do piso e do contêiner, que é substituído por outro vazio.

O Bigtainer já é usado em Abu Dhabi e na África do Sul. A cidade de São Paulo já tem instaladas outras duas lixeiras como esta: uma na Rebouças/Faria Lima, e outra no Mercado Municipal. Ambas devem começar a funcionar ainda este mês.

Esta é uma evolução muito bem-vinda para o descarte do lixo. Como o lixo fica num contêiner fechado, isso elimina ratos e baratas. O caminhão de lixo não precisa vir todo dia, e não é necessária uma equipe de lixeiros para sair catando sacos pela rua. Na verdade, o Bigtainer nem precisa de lixeiros: basta o motorista do caminhão de lixo, que pega o contêiner e o leva para seu destino. Só fico meio preocupado com a tampa da lixeira, que não se fecha sozinha: se alguém esquecê-la aberta, pode entrar água da chuva no contêiner, por exemplo. Mas não consigo deixar de pensar que esta é, sim, a lixeira do futuro. [Jornal da Tarde]