Já pensou por que você pode parecer mais bonito em uma foto do que outras, mesmo fazendo o mesmo sorriso e usando a mesma iluminação? É tudo culpa da lente de sua câmera.  Os retratos acima — tirados por Stephen Eastwood — mostram como isso funciona.

Se você já usou uma rede social (e nem precisa ser desses de marcar encontro), viu uma foto e pensou “que que isso, morena, cê tá linda na foto! Que tipo de mágica é essa?” ou “eita, ela/ele parece bem melhor ao vivo”, você sabe exatamente do que eu estou falando.

É tudo culpa da distorção de lente (que também é afetada pela distância do objeto da câmera). As lentes fazem o mundo parecer diferente do que ele é visto por nossos olhos. Ele dobra a exposição de luz, capturando a cena com um certo campo de visão dentro de um frame limitado e bidimensional: uma foto. Dependendo do comprimento focal da lente, a imagem irá deformar mais ou menos, afetando a forma em que objetos e rostos aparecem na fotografia.

Você pode ver como a deformação funciona na série de Eastwood, que tirou a mesma foto com opções variadas de lentes, indo de uma 350mm até 19mm. Eastwood moveu a câmera para deixar a personagem na mesmíssima posição, para deixar o efeito mais visível.

Quanto menor a abertura da lente, mais campo de visão você pode capturar. Com uma lente fish eye de 15mm ou uma 19mm que Eastwood usou, o efeito é bem óbvio. Sua cara fica extremamente deformada, como todo o arredor. Mas quando você começa a subir, a distorção é mais sutil. Às vezes a distorção pode deixar seu rosto mais bonito do que ele realmente é. Às vezes o efeito faz a coisa piorar. Como tal distorção sutil não é óbvia, sua mente simplesmente compra a imagem e anota que é assim que a pessoa se parece.

O mesmo acontece com aberturas focais enormes. Em 350mm há uma distorção da realidade: a face da modelo fica mais plana e mais larga.

Em tese, fotografar com algo com cerca de 135mm irá produzir o melhor e mais preciso dos resultados, mas não há certo e errado aqui. Tudo depende da anatomia do objeto. É por isso que algumas pessoas são “fotogênicas” com algumas câmeras e em certos ângulos, e ficam monstruosas em outros.

Se você prestar bastante atenção, é possível observar tal efeito em fotos cotidianas tiradas com celulares e câmeras compactas. É possível ver isso mesmo sem trocar a lente. Durante uma recente viagem, enquanto tirava fotos com meu iPhone, colocar alguém no centro da foto deixava todo mundo mais bonito, principalmente com uma distância considerável. E quando eu colocava a mesma pessoa no canto da foto, elas ficavam completamente diferentes. A distorção é mais óbvia próxima aos cantos, e é o necessário para deixar as pessoas menos atraentes. O engraçado é que o inverso aconteceu comigo: eu fiquei melhor nos cantos do que no centro. Ou talvez eu tenha simplesmente passado a viagem toda em uma ressaca enorme.

Imagens por Stephen Eastwood via Petapixel