Nova York para Hong Kong? Quatro horas. Sydney para Londres? Quatro horas. Denver para Dubai? Quatro horas. Mas como?

Este novo jato, que está em testes, utiliza um sistema de motores chamado SABRE, que mescla motores de aviões com os de foguetes, podendo transportar até 300 passageiros na velocidade Mach 5 — cinco vezes a velocidade do som — sem muitos problemas. A companhia também trabalha no avião espacial SKYLON, que pode atingir a velocidade Mach 25 — 25 vezes a velocidade do som.

Alan Bond, engenheiro responsável pelo projeto, explica que o SABRE usa um sistema de resfriamento único: ele aspira o ar atmosférico — cerca de 1.250 toneladas de ar — e o resfria a -150˚ Celsius em 0.1 segundos. Cerca de 250 toneladas desse ar são convertidas em oxigênio, que é então usado pelos motores no processo de combustão, reduzindo a quantidade de oxigênio que os tanques de propulsão carregam e assim diminuindo o peso da aeronave como um todo. O SABRE funciona em dois modos:

  • Modo de aspiração do ar: a turbina suga o ar atmosférico como fonte de oxigênio (como normalmente já é feito em turbinas de jatos) para queimá-lo com o hidrogênio líquido presente na câmara de combustão.
  • Modo de foguete: com a aeronave acima da atmosfera, a turbina se transforma em um sistema de foguete que usa oxigênio líquido como comburente.

Captura de Tela 2015-03-19 às 15.30.32

O sistema SABRE é acima de tudo uma turbina de foguete, projetada para enviar aeronaves de uma só vez para a atmosfera de forma confiável e rentável, além de permitir altas velocidades dentro da atmosfera.

Este tipo de sistema já foi testado anteriormente, mas nunca com sucesso, principalmente devido ao peso dessas aeronaves. Turbinas de foguetes normalmente usam oxigênio líquido como combustível e é nisso que o SABRE se diferencia: fazendo uso do oxigênio presente na atmosfera, ele pode abandonar os pesados tanques que a aeronave precisaria carregar, o que diminui o peso dela. O vídeo abaixo ilustra como a turbina funciona:

Data de lançamento? Ninguém sabe. A tecnologia ainda está em testes, com protótipos em produção, mas caso Bond e sua equipe consigam dominar esse processo, o mundo da aviação passará por uma revolução e quem vai se dar melhor com isso somos nós, que nunca mais passaremos mais de quatro horas em uma aeronave. [Higher Perspectives, Reaction Engines]