Nós sabemos que havia água em abundância em Marte, mas nunca vimos seu antigo oceano. Agora podemos vê-lo: é a grande mancha azul no planeta vermelho, na imagem acima. Ele foi revelado a partir de fortes provas que foram descobertas, ao longo de dois anos, pelo radar MARSIS a bordo da Mars Express, missão espacial não-tripulada da ESA (Agência Espacial Europeia).

Antes desta descoberta, cientistas suspeitavam do que poderia ter sido o litoral deste oceano. No entanto, esta é a primeira vez que o oceano de Marte foi mostrado em toda a sua magnitude. De acordo com a ESA, a Mars Express “detectou sedimentos que sugerem um fundo oceânico dentro dos limites do antigo litoral anteriormente identificado em Marte”.

Os sedimentos são um material granular de baixa densidade que foram erodidos pela água. Eles têm baixa reflexividade a radar e foram detectados por toda a área do antigo oceano, a profundidades de 60 a 80 metros da superfície do Planeta Vermelho.

De acordo com Jérémie Mouginot, do IPAG (Instituto de Planetologia e Astrofísica de Grenoble, França) e da Universidade da Califórnia, Irvine (EUA), o depósito sedimentário que eles descobriram pode ser rico em gelo. Os sedimentos são “um novo e forte sinal de que um dia houve um oceano lá”.

Cientistas agora acreditam que houve dois oceanos em Marte. O primeiro estava lá há quatro bilhões de anos, quando o planeta era mais quente (hoje a temperatura em Marte varia entre -87°C e -5°C). O segundo se formou há três bilhões de anos, “quando o gelo da subsuperfície derreteu depois de um grande impacto, formando canais de fluxo que levaram a água para áreas de baixa elevação”. A equipe acredita que este oceano não durou o bastante para servir como ambiente para a formação de vida.

De acordo com o cientista Olivier Witasse, da missão Mars Express, agora há pouca dúvida sobre onde os oceanos estavam. Mas para Witasse, a maior dúvida permanece: “para onde foi toda a água?” [ESA]