O Observatório de Neutrinos, IceCube, construído ao longo de uma década, custou U$ 271 milhões, está enterrado sob o Pólo Sul e seu comprimento é maior do que três dos arranha-céus mais altos do mundo combinados.

No final da semana passada a construção do Observatório de Neutrinos IceCube terminou na Fundação Nacional de Ciências Amundsen-Scott, em uma estação do Pólo Sul, na Antártica. A equipe internacional de cientistas por trás do esforço conseguiu fazer algo realmente notável ao construir o maior observatório de neutrinos do mundo. O imenso telescópio, que tem um kilômetro cubico de tamanho e localizado 1400 metros embaixo da terra, levou uma década para ser construído e custou aproximadamente U$271 milhões. Ah, e se você alinhasse os três arranha-céus mais altos do mundo, seu comprimento seria menor do que o deste telescópio.

IceCube é operado pela Universidade de Wisconsin-Madison e a Fundação Nacional de Ciências, com recursos financeiros concedidos pelos Estados Unidos, Bélgica, Alemanha e Suécia. Pesquisadores de Barbados, Canadá, Japão, Nova Zelândia, Suíça e Reino Unido também estão envolvidos no projeto.

A construção do IceCube no Pólo Sul serviu para se encaixar em seus objetivos científicos. O Observatório foi projetado para encontrar neutrinos – pequenas partículas subatômicas – com altas concentrações de energia, originadas de explosões de supernovas, explosões de raio gama e buracos negros, dando ênfase em expandir o conhecimento da humanidade sobre a Matéria Negra. Neutrinos, de acordo com as teorias ciêntíficas atuais, desempenham um papel crucial na detecção de Matéria Negra.

O Observatório IceCube foi projetado para detectar uma luz azul, chamada de radiação de Cherenkov, criada a partir de reações nucleares de neutrinos individuais colidindo com átomos de gelo. A radiação de Chrerenkov é geralmente considerada como o equivalente a um ruído sônico para a luz.

Construir o Observatório no Pólo Sul deu a oportunidade de utilizar o gelo mais claro e puro, minimizando os riscos de distorção nos resultados da experiência. Segundo a equipe do Observatório IceCube, para a construção era necessário ter uma estação científica nas proximidades para fins de logística – por esse motivo o projeto acabou por ser construído adjacente ao complexo dos Estados Unidos no Pólo Sul.

A construção do telescópio IceCube, como você deve imaginar, foi uma proeza da engenharia. Cientistas da Universidade de Wisconsin construíram uma broca customizada com água quente capaz de penetrar mais de 1,2 milhas no gelo da Antártica. Esses vários furos no gelo da Antártida foram preenchidos com sensores e equipamento de apoio. Cada buraco levou cerca de 48h para ser perfurado.

Todos os componentes do telescópio, funcionários, fornecedores, equipamentos e alimentos foram levados até a Antártica e, em seguida, entregues com aviões C-130 equipados com esquis, provenientes da estação McMurdo no Pólo Sul, uma viagem de aproximadamente 800 milhas de distância. Cerca de 150 especialistas trabalharam na construção e logística no Pólo Sul durante a última década, com o grosso do trabalho sendo feito durante o dia e a noite inteira no verão antártico. Uma pequena e resistente equipe permaneceu na estação McMurdo durante os invernos inimagináveis do Pólo Sul.

Agora que o Observatório IceCube está completo e operando em sua capacidade total, a coleta de dados permitirá que os cientistas aumentem o conhecimento da humanidade no campo da astrofísica. O principal pesquisador do IceCube, Francisco Halzen, está otimista:

Desde os anos 70 nós temos sonhado em construir um detector deste tamanho, e nós passamos 20 anos trabalhando em direção ao IceCube […] Se a ciência que está por vir trouxer metade da emoção de completar este instrumento, nós temos um futuro brilhante pela frente. Com a conclusão do IceCube, estamos no caminho para atingir um nível de sensibilidade que pode nos permitir ver neutrinos provenientes de fontes mais distantes que o sol.

Durante os anos da construção, a universidade de Wisconsin postou um guia detalhado da vida no Pólo Sul, que elogia as oportunidades de lazer na estação do Pólo sul ao mesmo tempo que (compreensivelmente) reclama do tempo. O observatório completo tem um comprimento maior que as Torres Petronas, o Empire State , e a torre Willis/Sears combinadas.

[Imagem courtesia de B. Gudbjartsson/Fundação Nacional de Ciências via Universidade de Wisconsin-Madison]