As agricultoras africanas enfrentam dificuldades em suas colheitas. Para elas, sobram terras inférteis e muitas vezes distantes de suas propriedades. A falta de informação e de recursos necessários impede que as mulheres adotem inovações capazes de melhorar seus negócios. 

Com esse diagnóstico, pesquisadores da República do Níger, Alemanha e Reino Unido resolveram testar um novo fertilizante. Para isso, usaram nada menos do que xixi humano, rico em fósforo, nitrogênio e potássio.

Os ingredientes são os mesmos encontrados em fertilizantes comerciais. A diferença é que este é um produto acessível, baseado em recursos locais e bastante fácil de aplicar. O estudo completo foi publicado na revista Agronomy for Sustainable Development.

Para testar a eficácia da urina, os cientistas resolveram aplicá-la sob o nome de Oga em plantações de milheto na República do Níger –milheto é uma planta muito usada como ração para animais.

As agricultoras foram divididas em dois grupos, o primeiro que faria seu cultivo de maneira tradicional e o segundo que usaria o composto. 

As mulheres que usariam a Oga aprenderam a pasteurizar, armazenar e diluir sua urina para utilizá-la como fertilizante. O composto era misturado a pequenas quantidades de esterco animal antes de ser aplicado. 

Ao final, os cientistas atestaram que as plantações que receberam a Oga produziram cerca de 30% mais grãos do que as fazendas tradicionais. O sucesso foi tanto que outras agricultoras da região começaram a usar o produto. Dois anos após o experimento, os pesquisadores descobriram que mais de mil mulheres africanas já estavam utilizando a urina como fertilizante para suas colheitas.