Vamos falar sobre implantes de ímãs. Não costumo falar muito sobre isso, mas tenho um pequeno ímã implantado no mindinho da minha mão direita. Eu o implantei há cerca de três anos.

Sempre que alguém descobre que eu tenho este implante, sempre surge um monte de perguntas. Normalmente a primeira delas é “Por quê?” Apesar de ser uma pergunta válida, eu tenho a tendência de desviar do assunto quando me perguntam, para continuar a conversa ao invés de passar por uma sessão de perguntas e respostas sobre minhas motivações e a maneira com a qual eu vejo e interajo com o mundo. Mas para ser justo com aqueles que estão realmente curiosos (e não aqueles que se assustam e vão logo perguntando “Por quê?”), eu resolvi compartilhar algumas das minhas ideias e experiências relacionadas a ter um ímã implantado e espero responder algumas das perguntas mais frequentes. Se você tiver alguma pergunta adicional, sinta-se a vontade para me mandar um e-mail.

Nota: Eu não vou dizer onde eu fiz o meu, e eu não sei onde você pode fazer também. Desculpa.

Interesse inicial

Quando eu li pela primeira vez sobre implantes de ímãs, a tecnologia ainda estava engatinhando. Havia um artigo fantástico do ex-editor e fundador da BMEZine Shannon Larratt (perdão por não ter conseguido encontrar aquele artigo específico) que discutia uma espécie de “sexto sentido” que estes ímãs forneciam. Mas meu interesse em fazer o procedimento foi rapidamente esmagado depois de ler e ver, com detalhes, o que acontecia quando a cápsula de silicone ao redor dos ímãs se rompia e o ímã corroía dentro do dedo. Mesmo depois de tanto tempo, só de pensar nessas imagens me dá um arrepio.

Naquela época, eu descartei o procedimento porque achei que era um conceito legal e nada mais. Até que três anos atrás, em um bar com alguns amigos, eu descobri que um dos meus colegas realmente tinha feito o implante. Não apenas ele havia feito, como já estava com ele há mais de um ano. Meu interesse ressurgiu imediatamente. Este não era apenas um procedimento qualquer que alguém tentou e falhou. Pelo contrário, era algo durável. Eu passei o resto da noite conversando com ele sobre o implante e assistindo-o fazer alguns truques, como pegar clipes de papel e tampinhas de garrafa com a ponta do dedo.

Naquela noite eu tomei a decisão de fazer o implante. No dia seguinte eu entrei em contato com um profissional experiente em implantes e agendei um horário.

O procedimento

A primeira decisão que eu precisava fazer era em qual dedo fazer o implante. Eu já havia decidido fazer o implante na minha mão direita, já que eu sou canhoto. Eu acabei decidindo pelo meu mindinho depois de fazer um monte de tarefas do dia-a-dia prestando atenção para quais dedos eu usava mais. Outro dedo que é comum usarem para o implante é o anelar, mas eu senti que usava menos o mindinho, então optei por este.

O procedimento para o implante foi relativamente rápido. Meu dedo foi marcado em dois lugares: onde o ímã iria ser implantado assim como o ponto da incisão (cerca de seis a doze milímetros de distância de onde o ímã ficaria). Ele então fez a incisão com um escalpo, usou alguns afastadores para separar o tecido, deslizou o ímã para o lugar correto e selou a incisão com cola cirúrgica. Depois ele fez um pouco de compressão nos tecidos; meu dedo foi enfaixado e eu estava pronto para ir embora. O tempo total foi de 15 a 20 minutos.

Reação inicial

Devido ao trauma no tecido por causa do corte, levou um tempo antes que eu pudesse realmente aproveitar ter um implante de ímã no dedo.  Apenas um ou dois dias depois eu peguei o meu primeiro clipe de papel, mas levou alguns meses antes do meu dedo recuperar totalmente a sensibilidade. O tecido ao redor do implante até a incisão ficou inchado e meio dormente por semanas após o procedimento. Isto não me impediu de brincar com o ímã o tempo todo, pegando clipes de papel e outros pequenos objetos de metal.

Conforme o inchaço diminuiu e a sensibilidade da ponta do meu dedo voltou, eu comecei a sentir elementos de um mundo invisível ao meu redor. Quando as pessoas falam que implantes magnéticos dão um “sexto sentido”, é disso que elas estão falando. Eu estava trabalhando no varejo na época, e acho que a primeira coisa que notei foram as vibrações da ventoinha dentro da caixa registradora. Eu podia sentir um campo invisível saindo do lado do computador. As vibrações tinham forças variadas dependendo de onde eu colocava o dedo. Não parecia um objeto estranho vibrando, mas sim o meu dedo. Era uma sensação extremamente esquisita e bem desconfortável no começo.

Outra experiência desconfortável, que eu rapidamente aprendi a evitar, foi manusear outros ímãs de uma maneira que eles virassem o ímã dentro do meu dedo. O ímã na minha mão é redondo e achatado, então aproximar outro ímã com a polaridade igual fazia com que o ímã girasse dentro do meu dedo. Apesar de isso não doer, isso era (e ainda é) bastante desconfortável. Além disso, às vezes o ímã era puxado e ficava de lado, e permanecia assim ao invés de ficar certinho no dedo. Isso também não doía, mas também era bem desconfortável e precisava de uma rápida massagem para que o implante ficasse no lugar de novo.

Experimentando o mundo

Eu rapidamente aprendi que superfícies magnéticas praticamente não davam sensação nenhuma. Ao invés disso, era um movimento que fazia com que meu dedo se movesse. Coisas como cabos de alimentação, micro-ondas, e ventoinhas de laptop se tornaram interativas de um jeito completamente novo. Cada objeto tinha seu próprio campo único, com força e “textura” diferente. Eu comecei a encostar o dedo em praticamente tudo que podia, sentido o campo invisível de cada objeto.

Eletrônicos portáteis provaram ser uma experiência diferente também. Dois grandes itens eletrônicos chegaram às prateleiras mais ou menos na mesma época que eu fiz meu implante: O primeiro iPad e o Kindle 2. Ambos os itens tinham um alto-falante localizado na pare inferior direita do aparelho, quase exatamente onde eu deixava o mindinho com o implante. Ambos os ímãs destes alto-falantes eram poderosos o suficiente para virar o ímã no meu dedo se eu passasse por eles de uma maneira específica. Isto era terrivelmente irritante, mas ficou irrelevante assim que eu coloquei uma case nos aparelhos. Nenhum dos elementos do iPhone foi um problema, e versões mais novas do Kindle e do iPad moveram o ímã para um local não intrusivo. Eu estava bem preocupado com a smart cover do iPad 2, mas estes ímãs tem um alvo tão específico que demora um tempo até para encontrá-los, mesmo se você estiver procurando por eles.

A melhor parte de ter um ímã implantado foi descobrir os campos magnéticos invisíveis mesmo quando eu não estava procurando. A primeira experiência que eu tive com isto foi quando estava caminhando no cruzamento da Broadway com a Bleecker em Manhattan. Eu passei por este cruzamento algumas vezes antes de perceber que meu dedo formigava em um certo ponto. Depois de prestar um pouco de atenção, eu percebi que estava sentindo alguma coisa no subsolo. Primeiro, eu achei que era um metrô, mas depois cheguei à conclusão que era mais provável que fosse um gerador de força do metrô ou um ventilador gigante que estava resfriando estes geradores. Depois de notar estas ondas subterrâneas na Broadway com a Bleecker, eu comecei a senti-las por toda Manhattan.

Outro campo magnético inesperado foi no balcão do caixa de algumas lojas. Principalmente livrarias (e algumas lojas de roupas), tem um dispositivo embaixo do balcão que remove as etiquetas de segurança. O dispositivo normalmente pulsa, enviando ondas magnéticas fortes o suficiente para ser sentido a poucos metros de distância. Isso sempre leva a conversas interessantes com os atendentes.

O lado negativo

Surpreendentemente, existem poucos lados negativos pelos quais eu passei nos três anos desde que fiz o implante. Felizmente, o ímã não é forte o suficiente para invalidar cartões de crédito, nem afetar negativamente eletrônicos ou monitores de computador. Eu também viajei de avião várias vezes desde que fiz o procedimento e nunca tive problemas.

O único aspecto realmente negativo de ter este implante é não poder fazer uma ressonância magnética (se precisar) sem ter que primeiro remover o ímã. Isto foi algo que levei em consideração antes de fazer o procedimento e tomei uma decisão consciente de seguir em frente e fazer o implante. Eu também percebi que se algum dia ficar inconsciente e me colocarem em uma máquina de ressonância magnética sem que eu possa avisar antes o médico, um pequeno ímã arrancado do meu dedo seria o menor dos meus problemas.

Considerações três anos depois

Depois de três anos com o implante, o ímã é algo que eu constantemente esqueço. Não é algo que tende a surgir em conversas do dia-a-dia. Mesmo quando alguém diz, “Conte-me algo único sobre você” normalmente é em um ambiente onde mencionar um implante magnético pode ser ligeiramente inapropriado. Sobre meu uso pessoal do ímã, ele serve mais como uma ferramenta curiosa do que algo com uso prático. Eu não estou em uma profissão que necessita que eu diferencie fios que estão ou não funcionando. Ao invés disso, quando eu encontro um objeto que está marcado como “magnético”, normalmente encosto do dedo para ver a força exata do ímã e nada mais.

Ao longo dos anos, o ímã perdeu força também. No começo ele conseguia segurar um clipe de papel grande, mas agora só sustenta um pequeno. A combinação de um ímã fraco e a novidade perdendo a graça significa que eu raramente penso no implante. Apenas quando eu sinto um campo de força relativamente forte que eu lembre dele, e mesmo assim, é normalmente uma nota mental rápida antes que eu continue fazendo o que estava fazendo.

Apesar disso, eu ainda estou bem satisfeito que fiz este procedimento. Ele abriu um mundo completamente novo pra mim, um onde eu posso tocar e interagir de uma maneira muito real. E apesar de um implante magnético tecnicamente não contar como “sexto sentido” (é mais como uma extensão do seu sentido de toque é realmente diferente).

Se isto é algo que você está interessado em fazer, continue a sua busca. Assegure-se de pesquisar bem, encontrar um profissional experiente e conhecer o fornecedor do ímã. Entenda os riscos e as consequências de fazer um implante magnético. Só depois de fazer tudo isso, vá fazer o implante e comece a explorar o mundo.

Dann Berg escreve sobre tecnologia e tendências da internet no IAmDann.com. Você também pode entrar em contato pelo twitter no @DannBerg.