Três ex-funcionárias do Google entraram com uma ação judicial coletiva contra a empresa por suposta discriminação contra mulheres. A queixa alega que o Google paga sistematicamente menos a mulheres do que a homens por empregos de funções similares, promove mais os homens do que mulheres igualmente qualificadas e mantém as mulheres em cargos de menores salário e nível.

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A ação judicial foi apresentada na quinta-feira (14) por Kelly Ellis, Holly Pease e Kelli Wisuri, em nome de todas as mulheres que trabalharam pela empresa na Califórnia nos últimos quatro anos, noticia o Guardian. A queixa vem pouco depois da recusa do Google a cooperar com os pedidos por dados salariais históricos feitos pelo Departamento do Trabalho. Vem também uma semana depois de o New York Times publicar dados de planilhas criadas por funcionários que alegaram haver discriminação salarial por gênero na empresa.

O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos acusou o Google de discriminação salarial por gênero em abril. O Google negou as acusações, e quando o órgão pediu mais dados de remuneração, além de informações de contato de funcionário, a empresa disse que o tempo e o dinheiro necessários para obter os dados eram muito onerosos.

Depois de o New York Times detalhar as planilhas dos empregados na última sexta-feira (8), a porta-voz do Google Gina Scigliano disse ao Gizmodo que seus próprios dados mostravam, quando você leva em conta “localização, tempo de serviço, cargo, nível e desempenho”, que as “mulheres recebem 99,7% do que os homens recebem no Google”. Scigliano descreveu a matéria do Times como “extremamente falha”.

Em resposta à nova ação judicial coletiva, Scigliano disse ao Gizmodo que o Google, mais uma vez, discorda das alegações feitas. “Trabalhamos muito duro para criar um ambiente de trabalho ótimo para todos e para dar uma chance de triunfar para todos aqui”, afirmou. “Em relação a essa ação judicial em particular, vamos revisá-la detalhadamente, mas discordamos das alegações centrais. Níveis de trabalho e promoções são determinados por meio de comitês rigorosos de contratação e promoção e devem passar por vários níveis de revisão, incluindo checagens para assegurar que não existe viés de gênero nessas decisões”, disse Scigliano. “E temos sistemas extensivos funcionando para garantir que paguemos de modo justo.”

A empresa se manteve firme em sua crença de que não tem um problema generalizado de discriminação de gênero, mas empregados corajosos, atuais e antigos, estão desafiando esse conceito. James Finberg, advogado que ajudou a apresentar a ação, disse que mais de 90 mulheres, empregadas atuais e antigas do Google, entraram em contato com ele em relação à ação judicial, de acordo com o Guardian.

“Ouvimos muito de mulheres sobre estereótipos e percepções de que mulheres não sabiam codificar”, Finberg contou ao jornal britânico. “É frustrante e desmoralizante.”

Imagem do topo: Getty