Executiva do Facebook defende decisão de não remover vídeo falso de Presidente da Câmara de Representantes dos EUA

Vídeos editados mostram Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, de uma forma que parece lenta e alcoolizada. Eles viralizaram no final da semana passada — um foi, inclusive, compartilhado pelo presidente Donald Trump. Apesar de a falsificação ter sido descoberta, os vídeos não serão removidos do Facebook. Na sexta-feira (24), uma executiva […]

Nancy Pelosi discursando

Foto: J. Scott Applewhite/AP

Vídeos editados mostram Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, de uma forma que parece lenta e alcoolizada. Eles viralizaram no final da semana passada — um foi, inclusive, compartilhado pelo presidente Donald Trump. Apesar de a falsificação ter sido descoberta, os vídeos não serão removidos do Facebook. Na sexta-feira (24), uma executiva da empresa defendeu parcialmente essa decisão, mesmo com o Facebook trabalhando para mitigar seu problema generalizado de desinformação.

Em uma entrevista ao apresentador da CNN Anderson Cooper na sexta-feira, Monika Bickert, diretora de gerenciamento de políticas globais da empresa, defendeu a decisão. A empresa não removeu o vídeo falso; em vez disso, a rede rebaixou seu alcance e exibiu informações de um verificador de fatos independente ao lado dele no Feed de Notícias e em compartilhamentos. De acordo com Bickert, a questão é dar aos usuários uma “escolha”.

“Achamos que é importante que as pessoas estejam informadas e façam sua própria escolha sobre no que acreditar”, disse Bickert. “Nosso trabalho é garantir que recebamos informações precisas. E é por isso que trabalhamos com mais de 50 organizações de verificação de fatos em todo o mundo.”

Bickert continuou dizendo que, se a desinformação tivesse o potencial de incitar a violência, esse conteúdo seria removido do Facebook. Informações falsas ou enganosas, porém, não violam expressamente as regras da rede social.

Um porta-voz da empresa disse ao Washington Post, em um comunicado enviado na sexta-feira (24) que “não tem uma política que estipule que as informações postadas no Facebook devam ser verdadeiras”. Em vez disso, a rede vem adotando outras iniciativas para combater notícias falsas, simplesmente reduzindo o alcance do conteúdo e exibindo informações de seus parceiros de verificação de fatos.

“Isso é parte da maneira como lidamos com desinformação”, disse Bickert. “Trabalhamos com organizações de verificação de fatos certificadas internacionalmente e independentes do Facebook, e achamos que elas são as organizações certas para tomar decisões sobre se algo é verdadeiro ou falso”.

Durante a entrevista, o apresentador Anderson Cooper fez uma observação importante ao notar que o Facebook é uma fonte de informações de notícias para uma grande porcentagem de seus 2 bilhões de usuários — algo que nem sempre a rede reconhece publicamente.

A resposta de Bickert a isso, no entanto, foi que o Facebook “não está no negócio de notícias, mas, sim, no negócio de mídia social”. Cooper, então, respondeu que a plataforma compartilha notícias porque faz a plataforma ganhar dinheiro — o que está correto.

Enquanto o Facebook apresentou uma justificativa confusa para permitir a disseminação flagrante de notícias falsas em sua plataforma, um porta-voz do YouTube disse ao Post que o vídeo adulterado já foi retirado de seu site porque violou as regras do YouTube. O Twitter, rede em que Trump compartilhou um dos vídeos e em que sua conta permanece ativa, se recusou a comentar o incidente.

Respondendo aos vídeos no Twitter na quarta-feira, a filha de Pelosi, Christine Pelosi, tuitou que os republicanos “vêm promovendo esse meme falso e desprezível por anos”. Ela também disse que a congressista não bebe álcool. A equipe de Pelosi disse ao Post na semana passada que eles não comentariam “esse lixo sexista”.

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