Enquanto as ações do Facebook cresciam durante todo 2016, este ano foi um pesadelo para o Facebook no que diz respeito à relações públicas. A empresa foi acusada de censura (por ter bloqueado a foto histórica de uma vietnamita atingida por napalm), foi alvo de ataque do senado dos EUA (por suprimir notícias de viés republicano) e processado pelo IRS (espécie de Receita Federal americana).

Nesta quinta (22), no entanto, finalmente apareceu um problema que pode afetar o valor de mercado da empresa, quando surgiram notícias de que o Facebook não foi muito honesto com dados importantes para anunciantes, ao inflacionar de “60 a 80%” as métricas de vídeo da rede por anos.

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De acordo com uma nova matéria do Wall Street Journal, o Facebook admitiu que superestimou a métrica de “Average Duration of Video Viewed” (Duração média de vídeos vistos) por dois anos, contando apenas como vistos os arquivos visualizados por mais de 3 segundos.

O Facebook apenas contava vídeos vistos mais de 3 segundos ao calcular o “Average Duration of Video Viewed” (Duração média de vídeo visto). Vídeos vistos menos de 3 segundos não eram contabilizados, o que ajudava a inflar a medida. O novo nome adotado pelo Facebook para a métrica é “Average Watch Time” (Média de tempo visto) e que vai contabilizar vídeos vistos com qualquer duração.

Isso pode parecer uma transgressão pequena, mas anunciantes usam esse tipo de informação para direcionar o dinheiro de publicidade para a rede — e essa discrepância de “60 a 80% superior” é bem grave.

“Nós recentemente descobrimos um erro na forma como calculamos uma das nossas métricas de vídeo”, disse o Facebook em um comunicado. “Este erro foi corrigido, não impactou a cobrança e nós já notificamos nossos parceiros nos painéis de nossos produtos e através de vendas e alcance das publicações. Nós também mudamos o nome da métrica para tornar mais claro o que medimos.”

Em um memorando a clientes, no entanto, a empresa de publicidade que descobriu primeiro esta disparidade criticou a rede social escrevendo: “Dois anos inflando os números dos relatórios é inaceitável.”

“Em um esforço de se distanciarem das métricas incorretas, o Facebook está mudando [as métricas antigas] e apresentando ‘novas’ métricas em setembro”, escreveu a agência de publicidade Publicis Media, segundo o WSJ. “Essencialmente, eles inventaram novos nomes para o que eles diziam que mediam anteriormente.”

O Wall Street Journal nota ainda as preocupações entre anunciantes com o que eles chamam de “jardins amuralhados” de empresas como Facebook e Google.

As duas companhias vendem soluções de publicidade e dizem manter um controle restrito das informações, porém permitem de forma limitada que terceiros verifiquem a precisão dos dados fornecidos. “Empresas que não deixam terceiros medir suas plataformas é o equivalente a deixar um aluno dar nota em sua própria lição de casa”, afirmou Keith Weed, diretor de marketing da Unilever.

[Wall Street Journal]

Crédito: AP