É uma briga de gato e rato. Na terça-feira, o Facebook anunciou que iria começar a barrar programas que bloqueiam anúncios, em um esforço para exibir mais propagandas no feed de notícias. A comunidade de adblockers ficou irritada e jurou resolver o problema.

Dois dias depois, colaboradores do Adblock Plus lançaram uma forma de contornar isso, corrigindo o que eles descreveram como um “rumo sombrio [do Facebook] contra a escolha dos usuários”. Agora, parece que essa solução alternativa parou de funcionar.

O impacto de bloquear anúncios em sites é maior do que você imagina

De acordo com o TechCrunch, o Facebook lançou um código hoje para anular a solução alternativa do Adblock Plus.

A rede social, então, divulgou um comunicado sobre sua relação com bloqueadores de anúncios:

Estamos desapontados que empresas de bloqueadores de anúncios estejam punindo pessoas no Facebook, já que essas novas tentativas não bloqueiam apenas anúncios, como também posts de amigos e de Páginas. Esta não é uma boa experiência para as pessoas, e planejamos resolver a questão.

Bloqueadores de anúncios são um instrumento contundente, por isso estamos focados em criar ferramentas – como preferências de anúncios – para colocar o controle nas mãos dos usuários.

A maior queixa do Facebook em relação à solução alternativa do Adblock Plus é que ela afeta conteúdo de posts e páginas. No entanto, há outras ferramentas de terceiros que permitem aos usuários manipular o conteúdo da rede social, incluindo a extensão Blue Feed, Red Feed do Wall Street Journal (ela realça a diferença entre posts de democratas e de republicanos nos EUA).

O Facebook não explica porque ferramentas como esta podem continuar a existir, enquanto outras – como o Adblock Plus – não podem atuar no feed de notícias. Nossa melhor aposta é que isso tem a ver com os US$ 6,24 bilhões que a empresa obteve de receita em anúncios no segundo trimestre.

A solução alternativa do Adblock Plus foi barrada, mas a guerra não acabou – eles já sabiam que o Facebook iria responder rápido. Eles sugerem que a batalha será travada ao longo dos próximos anos:

O Facebook pode contornar nossa solução a qualquer momento… esse tipo de guerra vai-e -vem com a comunidade de código aberto para bloquear anúncios vem ocorrendo desde que o bloqueio de anúncios foi criado; então é bastante possível que o Facebook escreva algum código que inutilize nossa solução – a qualquer momento. Se isso acontecer, a comunidade de adblockers vai encontrar uma alternativa, que o Facebook pode contornar de novo etc.

O Adblock Plus vai enfrentar uma batalha crescente, porque exige dos usuários que atualizem sua ferramenta para o bloqueio funcionar corretamente. Na verdade, para esta última solução, era necessário até mesmo editar manualmente a lista de endereços filtrados – uma barreira de entrada adicional que pode afastar pessoas menos experientes.

O Facebook, por outro lado, pode atualizar o feed de notícias de todos os usuários apertando um botão. Na atualização mais recente, a rede social mistura o HTML de seus lucrativos anúncios no conteúdo das páginas, para que anúncios apareçam mesmo com um adblocker ativo.

A rede social acredita que, ao oferecer configurações opt-out em seus anúncios direcionados, ela está preenchendo o mesmo papel de bloqueadores de anúncios – isso deveria ser algo para o usuário decidir.

Essa disputa reacendeu o debate sobre bloqueadores de anúncios, e acompanhar a posição oficial de cada grande empresa de tecnologia é complicado. Em 2015, a Apple decidiu apoiar programas de bloqueio de anúncios, liberando-os no navegador Safari no iOS 9. Este ano, o Google baniu apps da Play Store que bloqueiam anúncios, mas continuou permitindo todos em seu navegador Chrome.

Defensores de adblockers dizem que anúncios digitais são irritantes, incômodos, irrelevantes e gastam largura de banda. Quem é contra os bloqueadores lembra que esse tipo de ferramenta reduz a receita de propaganda que sites e publishers precisam para continuar existindo.

Claro, o Facebook não está pagando por conteúdo – nem mesmo o criando – e deixa sites de notícias “se alimentando de restos“, como disse recentemente um executivo da Bloomberg.

Agora é com você, Adblock Plus.

Foto por Dave/Flickr