Discos compactos nem sempre serviram de porta-copos. Houve uma vez, em um passado não tão distante, quando eles tocaram música, continham fotos e permitiam que as pessoas jogassem com sequências enormes de vídeo. E neste último fim de semana o venerável CD completou 30 aninhos.

Feliz aniversário! 1979-2009. Trinta anos. Bastante incrível ter tanto tempo que aqueles holandeses malucos da Philips extraíram a tecnologia de discos a laser como parte de uma demonstração de disco óptico de áudio digital em Eindhoven.

Claro, o CD não decolou logo de cara em tudo quanto é parte. Ele precisou de uma ajudinha da Sony, que trabalhou junto com a Philips para padronizar o formato. O padrão foi chamado por eles de Red Book, que incluía tudo desde o tempo de reprodução (inicialmente 60 minutos), ao diâmetro do disco e à frequência de reprodução. Simplificando, a colaboração deu certo e o Red Book foi um sucesso. No livro The Compact Disc Story, representantes da Philips louvaram a força tarefa que eles haviam estabelecido com a Sony. O CD que a equipe criou foi “inventado coletivamente por um grande grupo de pessoas trabalhando em conjunto”, disse a Philips. Se ao menos a Apple e a Microsoft fizessem o mesmo, não é? Ah, quantas coisas que eles poderiam construir.

Manifestações efusivas e meu sentimentalismo afetado à parte, só foi em 1º de outubro de 1982 que o 52nd Street de Billy Joel tornou-se o primeiro álbum a ser lançado em CD. Ele foi convenientemente lançado no Japão junto com o novíssimo tocador de CD CDP-101 da Sony. O álbum (e, mais importante, o meio pelo qual ele foi divulgado) mudou a história conforme mais tocadores de discos compactos foram introduzidos no mercado a partir de 1983. O CD de música chegaria ao seu zênite com o disco “1” dos Beatles (30 milhões de vendas) antes começar a sua eventual e inevitável queda para o MP3 em meados desta nossa década atual (em 2008, por exemplo, as vendas de CD caíram 20%).

Em relação a este último ponto está a proteção contra cópia. Ou, pra ser mais preciso, a completa e total falta de proteção contra cópia de qualquer espécie no CD.

Quando o Red Book foi finalizado, o padrão não fez nenhuma menção quanto à proteção contra cópia. Além da cláusula anti-cópia no subcódigo, não havia nada. Na verdade, se um empresa tentasse comercializar um CD protegido contra cópia (nada ripar, copiar, etc.), como muitas fizeram em 2002, a Philips disse que os discos não viriam com o logotipo oficial “Compact Disc Digital Áudio”. É ótimo que a Philips tenha feito isso, porque assim como ocorre com muitas formas “protegidas” de mídias atualmente, estes CDs não-padronizados eram anti-consumidor; eles geralmente não funcionavam em diversos drives de CD-ROM ou players individuais. E o Lars Ulrich ainda ficava quieto nessa época. É desconcertante, mas verdade, e definitivamente é um paralelo interessante com o debate atual sobre gerenciamento de direitos digitais e pirataria.

Como foi apontado pelo Brian Lam no e-mail que ele mandou pra mim sobre este aniversário, as tentativas ativas do Red Book tirar a proteção contra cópia das especificações foi incrivelmente progressista para a época. Você definitivamente não o veria no infame colapso anti-consumidor da Proteção Estendida Contra Cópia (XCP) na Sony Music BMG. Você se lembra daquela piada? É irônico que o criador do padrão original estaria de algum modo envolvido com um dos mais notórios abusos da fé do consumidor relacionados aos CDs, não é?

Mas, de volta ao ponto. O CD fez 30 anos. Ele mudou substancialmente a tecnologia e os gadgets. Mesmo entrando no crepúsculo da sua existência, nós geeks temos muito a agradecer e ainda há bastante o que agradecer por aquela cópia de Caetano e Chico Juntos que você tem debaixo da sua caneca de café neste momento. [Wikipedia]