Há cinquenta anos, a União Soviética lançava a nave espacial Korabl-Sputnik 2 – conhecida como Sputnik 5 no Ocidente – levando dois cachorros chamados Belka e Strelka, além de ratos, camundongos e moscas ao espaço. E todos voltaram vivos.

O sucesso da Sputnik 5 veio em uma época em que o espaço não parecia ser amigável a nada que tivesse batimentos cardíacos. Três anos antes, a Sputnik 2 havia enviado Laika, uma passageira canina sem muita sorte, que faleceu em órbita em questão de horas. Não inspira muita confiança, certo? Mas a Sputnik 5 desafiou as dúvidas de se colocar organismos vivos no espaço – tão relevantes que as circunstâncias exatas da morte da Laika só foram reveladas ao mundo em 2002 – e fez dezessete voltas completas ao redor da Terra em 25 horas. De repente, o espaço não era mais mortal. Monitores de vídeo e eletrodos ligados aos cachorros acompanharam as condições de voo deles, dando provas de que era possível sobreviver no espaço. E eles sobreviveram mesmo – até mesmo os quarenta camundongos. Belka e Strelka se tornaram heróis nacionais. Os ratos devem ter morrido sozinhos, bêbados em alguma sarjeta, e as moscas foram vistas dirigindo em direção a um barranco em um carro.

Uma etiqueta presa à cápsula, pensada para que alguém que encontrasse a nave depois que ela aterrissou, avisava que eles não deveriam abri-la (imagine como seria soltar dois cachorros bastante assustados depois de uma viagem ao espaço).

Depois da viagem traumática, Strelka teve uma ninhada de filhotes saudáveis, e um deles foi entregue ao presidente americano John F. Kennedy como um gesto de diplomacia da Guerra Fria, algo que deve ter sido um momento "toma essa!" de orgulho pra União Soviética.

Então, em nome de todos os astronautas peludos e nem tanto peludos que depois viajaram ao espaço, feliz 50° aniversário para a Sputnik 5.