Uma tentativa de provar a teoria da gravidade de Einstein revelou algo ainda mais estranho: um flash sem precedentes do buraco negro no centro de nossa galáxia.

A Via Láctea apresenta um buraco negro que é 4 milhões de vezes a massa do Sol, chamado Sagitário A * (pronunciado A-star). Uma equipe de cientistas vem medindo-a há mais de 20 anos e, em maio, eles observaram um flash de radiação infravermelha mais brilhante já visto no buraco negro. Não é algo para se preocupar, mas é um desenvolvimento animador para os astrônomos tentarem entender.

“Podemos ver a mudança em tempo real”, disse Tuan Do, autor principal do estudo e cientista associado de pesquisa da UCLA, ao Gizmodo. “Você geralmente não consegue fazer isso em astrofísica”.

A equipe de cientistas observou o centro galáctico por quatro noites este ano usando uma câmera infravermelha no telescópio Keck II. Em 13 de maio, a quantidade de luz infravermelha emitida aumentou 75 vezes em apenas duas horas, de acordo com o artigo publicado na revista Astrophysical Journal Letters. Ele também brilhou intensamente em 20 de abril e diminuiu rapidamente nas noites em que relampejou. Do explicou que a análise estatística feita depois da observação demonstrou que o evento era usual.

Os buracos negros são objetos tão densos que, além de uma zona chamada horizonte de eventos, seu campo gravitacional distorce o espaço ao ponto de a luz não conseguir escapar. Mas eles ainda podem emitir radiação de fora do seu horizonte de eventos, o resultado da interação com o gás e as estrelas que chegam perto demais.

Tradução: Aqui está um timelapse de mais de 2,5 horas de imagens de maio do @keckobservatory do buraco negro supermassivo Sgr A *. O buraco negro é sempre variável, mas foi o mais brilhante que já vimos no infravermelho até agora. Provavelmente foi ainda mais brilhante antes de começarmos a observar aquela noite!

Essa interação pode ter estado por trás desse flash brilhante recente. Esses cientistas estavam especialmente interessados em uma estrela orbitando perto do centro galáctico chamado SO-2. Eles esperavam testar a teoria de Einstein de como funciona a gravidade, chamada relatividade geral, e descobriram que o buraco negro de fato deformou a luz da estrela como previsto pela teoria.

Talvez, disse Do, o SO-2 modificou o fluxo de gás no buraco negro e causou o flash temporário. Ou talvez o flash tenha vindo da reação atrasada de outro objeto inchado que recentemente passou pelo centro, chamado G2. Espera-se que mais observações ajudem os cientistas a chegarem a conclusões mais precisas.

Este não é o único grupo que está monitorando o SO-2 e o Sag A*. Outra equipe de astrônomos que opera o Very Large Telescope do European Southern Observatory também mediu os efeitos de alongamento de luz do buraco negro (eles chamam de estrela S2, mas é a mesma estrela). Do está curioso para ver se esta equipe também observou o flash.

Em última análise, os pesquisadores estão interessados ​​em saber se o buraco negro está mais ativo do que o habitual e, em caso afirmativo, quanto tempo durará o aumento da atividade, de acordo com a publicação.