Arqueólogos encontraram na Serra de Atapuerca, ao norte da Espanha, um fragmento de mandíbula humana que parece datar em 1,4 milhão de anos. Caso a idade da peça seja confirmada, ela poderá representar o fóssil mais antigo já catalogado na Europa, apontando para os primeiros hominídeos que ocuparam o continente.

A descoberta foi feita por pesquisadores da Fundação Atapuerca no final de junho. Até então, o fóssil mais antigo já descoberto na Europa – outro fragmento de mandíbula – havia sido encontrado no mesmo local em 2007, mas datava cerca de 1,2 milhão de anos. 

O osso foi descoberto a 2 metros abaixo da camada de terra em que estava a peça anterior, o que levou os cientistas a sugerirem a idade mais avançada. A datação exata, junto a outras análises, será realizada pelo Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana em Burgos (CENIEH). O processo deve levar de seis a oito meses para ser finalizado.

Os estudos devem revelar ainda a qual espécie de hominídeo pertence a mandíbula. Por enquanto, os pesquisadores supõem que o fóssil pertença ao Homo antecessor, remetendo as primeiras populações que ocuparam a Europa. 

O sítio arqueológico de Atapuerca é considerado patrimônio mundial da Unesco desde 2000. Ele contém milhares de fósseis de hominídeos e ferramentas, incluindo um utensílio feito de pedra para gerar fogo com 1,4 milhão de anos.

A mandíbula recém descoberta deve ajudar arqueólogos a estudarem a evolução humana no continente. Além disso, a descoberta dará uma imagem precisa das condições climáticas e do ecossistema em que viveram os primeiros colonizadores da Europa.