A Nokia está investindo pesado na divulgação dos seus Windows Phones para reconquistar o topo do pódio nos smartphones. Nos EUA, o maior esforço da empresa está no Lumia 900, onde a Nokia e o Windows Phone estão atrás na concorrência. Será que um aparelho com tela AMOLED de 4,3 polegadas, 4G LTE e um preço convidativo de até zero dólares – no que a operadora AT&T diz ser seu maior lançamento – cumpre o que promete? Os reviews já chegaram.

Hardware, desempenho e bateria

O Lumia 900 é basicamente o modelo 800, só que maior. Joshua Topolsky do The Verge diz que “ele pode ser o celular mais bonito no mercado agora”; o SlashGear lembra que “o design do hardware é tanto esteticamente agradável como notoriamente original”. Os reviews lembram como o Lumia 900, apesar de maior e menos fino que outros Windows Phones, nunca aparenta ser enorme ou grosso: Sam Biddle do Gizmodo US, por exemplo, diz que o aparelho é “incrivelmente fino ao ponto de ficar perfeito no bolso”.

O Lumia 900 tem processador Snapdragon de 1,4GHz e um núcleo, 512MB de RAM e 16GB de espaço interno (que não pode ser aumentado). O The Verge diz que “as especificações não são notáveis, mas o desempenho é”: ele é fluido e raramente tem engasgos. O Engadget nota, no entanto, que ele é fluido, mas não exatamente rápido: “não abre apps tão de imediato, nem rola listas tão rápido” como o Lumia 800 – apesar de ter notas maiores que ele em benchmark. E o Internet Explorer é bem mais lento que os browsers do iOS e Android; o Ars Technica mostra o quanto.

A bateria (não-removível) parece ser uma boa surpresa do Lumia 900: mesmo no 4G, o aparelho durou um dia inteiro sem problemas no The Verge e no SlashGear. No Engadget, o desempenho foi ainda mais impressionante: “sob o impacto de uso real… conseguimos tirar quase dois dias com uma só carga”.

Tela

Foto por Ars Technica

A tela de 4,3 polegadas usa tecnologia AMOLED ClearBlack, o que traz cores mais saturadas e pretos mais escuros. As cores saturadas são questão de gosto: o Engadget e o Gizmodo parecem gostar; o The Verge, não. O AMOLED permite ver melhor a tela sob luz forte, e a interface do Windows Phone ajuda nisso; mas, como lembra o Engadget, quando você tenta realizar outras tarefas (ver fotos ou navegar na web), a tela não ajuda muito. A cor preta é “como se fossem tinta”, diz o Ars Technica. Sua renderização parece ser consistente na interface do Windows Phone, porém o preto não é realmente ClearBlack dentro dos apps (como o navegador).

Sobre a resolução de 800×480, o Slashgear diz: “a resolução é um pouco decepcionante, especialmente em uma tela tão grande assim, mas o Windows Phone não precisa de muito mais que isso”. Joshua, do The Verge, diz que a resolução menor – se comparada à de smartphones top de linha com iOS ou Android – é perceptível e decepciona. Pelo menos a tela não usa tecnologia PenTile, portanto o texto é renderizado sem tantas bordas serrilhadas. Mas o Ars Technica diz que o vidro do Lumia 900, com Gorilla Glass, não é oleofóbico – ou seja, acumula digitais e gordura.

Câmera

Fotos por Engadget, Gizmodo, SlashGear e The Verge

A Nokia geralmente coloca ótimas câmeras em seus aparelhos, mas não parece ser exatamente o caso do Lumia 900, com sua câmera de 8MP e lente Carl Zeiss f/2.2 e 28 mm. No The Verge, “a câmera traseira conseguiu produzir boas fotos, mas em geral o 900 criou imagens relativamente granuladas e com cores muito lavadas”. No Giz US, “as fotos são em geral muito saturadas, lavadas ou sem exposição suficiente”. Nas mãos do SlashGear, a câmera tirou fotos nítidas mesmo em pouca luz, “mas a precisão de cores deixa muito a desejar”. Os reviews comentam que outros aparelhos tiram fotos melhor que o 900, como o iPhone 4/4S e o HTC One X.

A câmera traseira filma em HD 720p, enquanto a câmera frontal tem resolução VGA. Quanto a vídeo, ambas “são mais do que adequadas”, diz o SlashGear.

Software

Foto por The Verge

O The Verge foi direto: “acho que chegou a hora de parar de dar chances ao Windows Phone”. Todos são unânimes em dizer que o Windows Phone tem ótimo design, mas quanto mais você o usa, mais você repara em suas limitações. Não há problemas grandes: são vários pequenos problemas que se acumulam: como diz Sam Biddle, “você percebe como chega rápido às limitações do software, e você se decepciona”.

Joshua do The Verge diz que esta é “uma morte por mil cortes”, e lista diversos problemas: a multitarefa não parece confiável – você nunca sabe se o app está realmente rodando no plano de fundo; listas saltam em certos apps de terceiros, ao invés de rolar; e o Internet Explorer não renderiza as páginas como deveria. O problema parece sério, e vale ler o rant completo aqui. O Ars Technica também critica a pouca densidade de informação, que parecem desperdiçar espaço e dificultar o uso. Ainda há muito potencial para os apps do Windows Phone, mas “eu não consegui encontrar uma só coisa que esta plataforma poderia fazer melhor que o Android 4.0 ou o iOS 5.1”, diz Joshua.

O Windows Phone tem 70.000 apps no Marketplace, mas algumas ausências são notáveis (principalmente jogos). Sam Biddle diz que “a loja de apps é um beco claustrofóbico”, e Joshua Topolsky também aponta o problema. Mas o SlashGear é mais otimista: “se você já for um usuário do Windows Phone ou estiver entrando na onda de smartphones, há muito a se apreciar”. Para quem já entrou no ecossistema do iOS e Android, é difícil recomendar a mudança.

Conclusão

A campanha publicitária do Lumia 900 dizia que “Se você já achou que seu smartphone não é tudo o que prometia ser, é porque não é mesmo”. Só que a Nokia e a AT&T criaram tanta expectativa em cima do aparelho, que ele não parece ser tão bom assim. O Engadget diz que “o Lumia 900 tem suas vantagens… mas o pacote completo e o desempenho são muito simples, muito comuns para merecer a aura de celular top que ele quer emanar”.

O SlashGear acredita que este “é sem dúvida um dos melhores Windows Phones que já testamos até hoje”, mas lembra que “aqueles já comprometidos a Android, iOS e BlackBerry provavelmente não serão convencidos” – novos usuários de smartphone, no entanto, deveriam considerá-lo pelo preço. Ele vai custar US$99 com contrato de dois anos nas lojas da AT&T, ou US$0 pela internet. O Gizmodo US nota que, pelo preço, os defeitos podem não ser tão relevantes para quem o comprar.

É nisso que o The Verge acredita também: “Claro, há usuários que vão adotar este celular. Ele é geralmente fácil e agradável de usar, e pelo preço baixo, além de um belo hardware e serviço LTE sólido, poderia convencer. Mas para mim e para a maioria das pessoas que conheço, ainda há algo faltando aí, e até a Microsoft e a Nokia descobrirem o que é, o Windows Phone vai continuar sua luta para tentar crescer”.

Os reviews completos estão nos links a seguir: [The Verge, Engadget, Gizmodo US, Slashgear, Ars Technica]