A Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, fundada em 1972, é responsável por administrar o Zoológico de Sapucaia do Sul, o Museu de Ciências Naturais e o Jardim Botânico de Porto Alegre. No entanto, uma das medidas de ajuste fiscal apresentadas por Ivo Sartori (PMDB), governador do RS, pode pôr um fim nessa fundação.

O biólogo Paulo Brack, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro coordenador do Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais (InGá), diz que isto pode colocar o estado de “volta à idade das trevas”.

Sendo extinta, a Fundação Zoobotânica deixaria de abrigar e manter cerca de 1.500 animais de 180 espécies, além de fauna nativa e exótica do zoológico. O órgão também é responsável por conservar e estudar um total de 1084 espécies ameaçadas (804 plantas; 280 animais) — o único do estado responsável por criar alternativas para que estas espécies permaneçam vivas.

A Fundação também é a única em todo o sul do Brasil a fornecer veneno de serpentes para a produção de soro antiofídico, medicamento usado para tratar picadas de cobras peçonhentas. São usadas 350 cobras para suprir o fornecimento.

“Cabe lembrar que, para a conservação deste total de 1084 espécies ameaçadas, necessita-se de estudos de biologia e ecologia, considerando-se que mais de 95% destas ainda não dispõem de mínimos conhecimentos suficientes para programas de conservação efetiva”, explica Brack. Um abaixo-assinado visa impedir o fechamento da Fundação.

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Com o fim da Fundação, além de deixar 200 funcionários sem emprego — alguns “altamente gabaritados e [de] conhecimento único na área de biodiversidade”, como afirma Brack — o órgão também deixaria de proporcionar formação especializada à bolsistas e estagiários, uma vez que ele mantém convênio com diversas universidade do sul do país.

O órgão custa aos cofres do estado R$ 26 milhões ao ano — o que é muito pouco para o orçamento completo do estado, segundo o pesquisador Glayson Bencke. “Hoje o orçamento da Fundação Zoobotânica representa só 0,045% do orçamento geral do estado, ou seja, é algo mínimo”, diz ao G1.

Com o fechamento do Fundação, o governador pretende dividir as responsabilidades do Museu de Ciências Naturais e do Jardim Botânico entre estado e universidades. O zoológico seria mantido por iniciativas privadas. Ana Pellini, secretária de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, explica ao G1 que universidades interessadas em manter o órgão poderão ampliá-lo, além de dar continuidade as pesquisas que hoje são de responsabilidade da Fundação.

Pellini explica também que alguns dos 200 funcionários a serem demitidos, os de maior qualificação, podem ser remanejados para outras áreas. “Se vierem para secretaria ou para a Fepam, prestarão um serviço muito útil ao Rio Grande”, diz ao G1.

O pacote de medidas que pode extinguir a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul ainda precisa ser aprovado pelos deputados do estado. Brack pede em sua nota que governo e parlamentares tenham “bom senso”:

Esperamos o bom senso do governo e dos parlamentares, já que a revolta de muitos setores será muito grande. Afinal, este Estado tem tradição na área pesquisa e conservação ambiental. E o que seria de nós sem instituições como a Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul e com seu respectivo plantel de cientistas e técnicos altamente gabaritados?

Além da Fundação Zoobotânica, o pacote de medidas para o ajuste fiscal apresentado pelo governador pretende também extinguir a Fundação de Esporte e Lazer (Fundergs), a Fundação Estadual de Produção e Pesquisa em Saúde (Fepps) e a Companhia de Silos e Armazéns (Cesa). [G1 e Sul21]

Fotos por Eliezer Pedroso/Flickr