O esquema da TelexFree parece ter chegado ao fim: um dos seus donos assumiu crimes e deve passar até 10 anos preso, além de ter que devolver até US$ 140 milhões em bens.

Denúncias contra TelexFree escancaram o cada vez mais popular “marketing multinível”
As pirâmides que vieram antes da TelexFree

James Matthew Merrill se declarou culpado em nove acusações de fraude e conspiração nos EUA, e vai ter que devolver cerca de US$ 140 milhões em bens (carros, barcos e imóveis). Ele se livrou de uma acusação de lavagem de dinheiro. Em fevereiro do ano que vem, uma audiência será realizada nos EUA para que os termos do acordo sejam aceitos (ou não).

Merrill não criou a TelexFree sozinho. Ele teve ajuda de um brasileiro, chamado Carlos Wanzeler, que voltou ao país pouco antes da expedição de uma ordem de prisão contra os fundadores da empresa. Enquanto Wanzeler segue solto no país, Merrill passou mais de um mês na cadeia em 2014, passando depois para o regime de prisão domiciliar.

A TelexFree começou a atuar no Brasil em 2012 e vendia planos de telefonia VoIP, mas acabou sendo acusada de ser um esquema de pirâmide financeira – a empresa sempre negou e disse usar “marketing multinível”. Ela chegou a ter mais de 1 milhão de clientes por aqui.

Em junho de 2013, a empresa foi proibida de operar no país. A Anatel processou a TelexFree, dizendo que seu serviço era irregular. Algumas das pessoas que aderiram ao serviço chegaram a protestar contra a proibição na época. No ano passado, a TelexFree foi considerada culpada da prática de pirâmide financeira.

Segundo a Proteste, é possível pedir a devolução do dinheiro investigo na compra de kits e caução. Para isso, é preciso juntar documentos que comprovem o vínculo com a empresa e entrar com uma ação na cidade em que a pessoa mora – pode ser tanto uma ação individual quanto em grupo. Só não dá para saber quanto tempo vai demorar até o reembolso acontecer.

[UOL]

Foto via Flickr/jaybergesen