por Bruno Izidro

O mundo do futebol é cheio de grandes clássicos: o Fla-Flu no Maracanã, o El Clásico entre Barcelona e Real Madrid, o derby de Milão com Milan e Internazionale. Porém, surgiu recentemente uma nova rivalidade bem grande, e a peculiaridade é que a disputa não acontece nos gramados reais, e sim nos virtuais. Pro Evolution Soccer contra FIFA é o clássico futebolístico moderno que jogadores/torcedores discutem qual é o melhor todos os anos.

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Não é segredo pra ninguém que, nessa disputa, o jogo da EA Sports teve uma hegemonia nos últimos tempos. Já PES vem aos poucos correndo atrás e melhorando nas últimas edições. Assim, PES 2017 e FIFA 17 entram em campo mais uma vez para tentar entregar a melhor experiência de futebol nos videogames – só que nenhum dos dois consegue atingir isso plenamente.

Na realidade, o jogo perfeito seria a união de ambos em um só.

Gol de reação do PES 2017

A tática da Konami para o seu jogo é clara: investir no licenciamento e exclusividades de clubes. Nem falo aqui da parceria com o Barcelona, que só rende o time catalão na capa do jogo e o direito de ter uma versão virtual do estádio Camp Nou, e sim do apelo que o game tem com o público brasileiro.

Somente no PES 2017 é possível jogar com todos os 20 clubes da série A do Brasileirão 2016 com uniformes e jogadores oficiais, incluindo aí Corinthians e Flamengo, que são exclusivos. Cássio e Gamacho no Corinthians, Emerson Sheik no Flamengo, Zé Roberto e Gabriel Jesus no Palmeiras – estão todos lá. No FIFA 17 até há equipes brasileiras, mas além de não ter a presença do Timão e o Rubro-Negro carioca, todos possuem elencos genéricos.

PES_Cassio

Para alguns, isso pode até não fazer diferença, mas tirar aquele contra com os amigos usando o seu time do coração, e com jogadores com visuais parecidos com os reais, dá uma autenticidade legal para PES, mesmo que algumas escalações não estejam 100% atualizadas. O Elias ainda está no Corinthians, por exemplo; o São Paulo não tem Lugano; e o Fred nem aparece entre os listados no Atlético Mineiro.

Independente de tanta atenção por exclusividades (estádios brasileiros como o Morumbi e o Beira-Rio também só estão por lá), Pro Evolution Soccer não esquece que, quando a bola rola, precisa ser bom de jogar, e ele funciona perfeitamente pra desestressar com uma partida rápida de uns 10 ou 20 min, seja com alguém do lado, online ou mesmo com o computador.

Inclusive, em uma comparação direta com FIFA 17, alguns aspectos da jogabilidade de PES chegam a ser um pouco melhores, como os controles de bola parada e, principalmente, nos comandos de defesa, que ainda é um problema no jogo da EA.

PES_escanteio

No apitar do juiz, PES 2017 é como aquele gol de reação do time que está perdendo, algo que faz a torcida/fãs voltarem a ter esperança, mesmo que a vitória ainda esteja longe. Só que, poucos minutos depois, FIFA 17 (que foi lançado após o jogo da Konami) mete um daqueles gols de letra que ninguém esquece.

Golaço do FIFA 17

Talvez a principal diferença de FIFA é que, além de uma simulação de futebol, ele também entrega uma experiência mais completa como jogo de videogame, e sempre tenta trazer algo novo. Há alguns anos isso foi representando com o surgimento do modo Ultimate Team; em FIFA 16, com a introdução de futebol feminino; e na edição deste ano, é o inédito e muito bem-vindo modo história A Jornada.

A novidade, por si só, quase faz valer todo o game, porque apresenta uma forma diferente e interessante de encarar o futebol virtual. Para quem perdeu a preleção do professor (campanha de marketing do jogo), A Jornada acompanha a história do fictício jogador Alex Hunter, nova promessa do futebol inglês, e seus percalços nos times da Premier League.

Na prática, o modo é a junção do modo carreira (nas partidas) com os desafios de habilidades (nos treinos) e uma pitada de gerenciamento nas partes em que a narrativa desenrola – mesmo que meio nas coxas – os dramas de um jogador profissional. Isso inclui escolher respostas quando interage com os companheiros de equipe e em entrevistas após os jogos. Dependendo do que Hunter fala, ele os fãs dele crescem (e abre oportunidades com patrocinadores), ou fazem aquela média com o técnico (e têm mais chances de ir ou permanecer entre os titulares).

Mesmo não sendo algo muito original, já que a série NBA 2K possui algo parecido, o modo história é uma adição interessante. Ela contém suas falhas, mas pode evoluir muito em edições futuras.

FIFA 17 também pode se orgulhar de ser o jogo de futebol mais bonito até hoje – tudo graças à mudança para a engine Frostbite, a mesma da série Battlefield e do último Need for Speed. No jogo, isso significa melhorias de iluminação nos estádios quando a partida acontece de dia, e efeitos de chuva mais realistas no campo. Os jogadores também ganharam efeitos animados e mais detalhes, com direito a tatuagens e tudo.

Fifa_jogadores

O Ultimate Team continua lá para quem quer passar horas em menus e mais menus até montar o time perfeito em partidas online. O futebol feminino permanece, mesmo que ainda só com seleções dos países (bora colocar pelo menos a liga americana, EA), e a adição de A Jornada fazem de FIFA 17 um excelente game de futebol. Excelente, mas não perfeito, porque justamente as características exclusivas apresentadas pelo rival fazem falta.

Conclusão

A pergunta de todos os anos persiste: PES 2017 ou FIFA 17?

Escolher entre um ou outro vai depender do que o jogador mais busca. Quer jogar com todos os times brasileiros oficiais e com controles que não faça sentir raiva na hora de roubar a bola? Vá de PES. Prefere diversidade e novidades mais interessantes com um visual bem mais fiel? Vá de Fifa.

O melhor dos dois? Aí só se existisse um jogo que unisse ambos. Será que um dia teremos um Pro Evolution FIFA?

PES 2017 e FIFA 17 estão disponíveis para PS4, Xbox One, PC, Xbox 360 e PS3. As cópias dos jogos foram cedidas pela Konami e EA.