O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa que causa a perda das memórias e o comprometimento das capacidades cognitivas. Vendo o sofrimento da avó, que é portadora da doença, e de seus familiares, a garota Emma Yang desenvolveu um aplicativo para ajudar quem sofre com o problema — um feito impressionante, já que Yang tinha apenas 14 anos de idade na ocasião.

O Timeless, app criado por Yang, usa reconhecimento facial para ajudar os portadores a identificarem pessoas e recordar memórias. Ele permite que o paciente receba fotos dos familiares — todas elas são automaticamente identificadas, com etiquetas apontando quem é quem nas imagens. Também tem agenda de compromissos, que indica inclusive quem vai ser o responsável por levar o usuário aos lugares, e uma agenda telefônica com fotos.

Yang nasceu em Hong Kong e hoje mora em Nova York. Ela programa desde os seis anos de idade. Seu pai é desenvolvedor e colocou a então garotinha para brincar com o Scratch, uma plataforma de programação visual baseada em blocos. Depois, ela fez jogos e websites e chegou a vencer um concurso com um app para identificar concussões.

Quando Yang tinha 12 anos de idade, ela começou a construir o Timeless para ajudar sua avó, diagnosticada com o mal de Alzheimer. Depois de dois anos de desenvolvimento e refinamento, o app já é um protótipo funcional. E grande parte disso foi feito pela própria Yang: em entrevista ao South China Morning Post, ela conta que não era levada a sério quando procurava ajuda.

Ainda assim, a vida de Yang como um jovem desenvolvedora de software e empreendedora passou por desafios formidáveis. Ela conta que os venture capitalists não levaram seu trabalho a sério. Algumas dessas pessoas até sugeriram que ela exibisse seu projeto em feiras de ciências ou “colocasse online e visse como ele se saía”.

Mesmo assim, seu trabalho teve repercussão, sendo notado por nomes como Bill Gates, fundador da Microsoft, e Joseph Tsai, vice-presidente executivo do grupo Alibaba.

O Timeless chegou a levantar US$ 10 mil dólares em uma campanha realizada ano passado na plataforma de financiamento coletivo IndieGoGo, e hoje conta com a colaboração de um desenvolvedor na Alemanha e uma designer nos EUA, além de suporte técnico da startup Kairos, da Califórnia, especializada em reconhecimento facial.

Yang não é a primeira criança-prodígio a usar a tecnologia para um fim tão nobre. Em 2015, vimos na Campus Party de São Paulo a apresentação do garoto indiano Shubham Banerjee. Aos 13 anos, ele havia criado uma impressora braille de baixo custo usando Lego. Que mais Yangs e Banerjees venham por aí para melhorar o mundo com seus talentos e tecnologia.

[Timeless via South China Morning Post]