Lembre-se dos tempos de escola: naquela época, você deve ter aprendido que a maior parte da água doce do planeta está nas geleiras. Consequentemente, com o aquecimento global, a tendência é que esse volume de água se torne líquido e aumente o nível dos oceanos, correto?

Todo esse pensamento ainda é válido, mas o aumento do nível do mar pode ser menor do que nos foi ensinado no passado. Pesquisadores da Faculdade de Dartmouth, nos EUA, analisaram imagens de satélite de 98% das geleiras que cobrem o globo. Nisso, concluíram que há menos água doce armazenada do que se pensava antes. 

De primeira, você pode até pensar que isso tem seu lado positivo. Segundo a estimativa desses cientistas, se todo o gelo derreter, o oceano subirá menos 7,62 centímetros do que era estimado, o que pode ser um bom sinal para as zonas costeiras. Por outro lado, diversas comunidades dependem do derretimento sazonal das geleiras para ter acesso a água para consumo, geração de energia, irrigação etc. Menor o volume, menor a oferta.

De acordo com os pesquisadores, contagens anteriores consideraram geleiras da Groenlândia e da Antártica duas vezes, o que acabou interferindo nos resultados. Os dados atualizados foram publicados na revista científica Nature Geoscience.

Além das confusões envolvendo os números da Groenlândia e Antártica, os cientistas também mostraram que há cerca de 23% menos gelo glacial nas montanhas andinas da América do Sul do foi mostrado anteriormente. Em contrapartida, foi notado um acréscimo de 37% de gelo nas montanhas do Himalaia, na Ásia.

“Descobrir quanto gelo é armazenado nas geleiras é um passo fundamental para antecipar os efeitos das mudanças climáticas na sociedade”, disse em nota Romain Millan, principal autor do estudo. “Com essas informações, estaremos mais perto de conhecer o tamanho dos maiores reservatórios de água glacial e também de estudar como poderemos responder a um mundo com menos geleiras”, completou.