Apesar de um longo ano de esforços incansáveis em pesquisas, ainda há uma série de questões a serem respondidas sobre o novo coronavírus. Algo que médicos e cientistas tentam entender, por exemplo, é a forma como o vírus afeta as pessoas de diferentes formas.

Uma reportagem do New York Times relata diversos casos de gêmeos que contraíram Covid-19, mas foram afetados de formas distintas pela doença. A história de duas irmãs do Michigan, no entanto, foi uma das mais surpreendentes.

Além de compartilharem o mesmo DNA, Kimberly e Kelly Standard, de 35 anos, apresentavam condições de saúde semelhantes que as colocavam no grupo de risco: excesso de peso, hipertensão e diabetes tipo 2. A expectativa, portanto, seria de que a doença provavelmente evoluísse de forma parecida em ambas. No entanto, o que intrigou os médicos foi o fato de que, apesar de Kelly ser a única asmática e apresentar um quadro de diabetes mais grave, foi Kimberly quem precisou ser hospitalizada e receber ventilação mecânica.

O estudo de caso foi publicado no Journal of Medical Cases e descreve a evolução da doença nas gêmeas norte-americanas. De acordo com o artigo, “este caso destaca a necessidade de identificar marcadores e preditores de doença adequados no início do curso clínico, a fim de direcionar futuras diretrizes de manejo e tratamento oportuno”.

Estudos como esse, que analisam o desenvolvimento da Covid-19 em gêmeos, ajudam os pesquisadores a entender como fatores externos, não relacionados à genética, podem contribuir para a manifestação da doença. Mesmo entre irmãos que compartilham o mesmo DNA, o sistema imunológico pode ser extremamente diferente e é algo que continua a se modificar ao longo da vida.

Outros estudos já tentaram investigar as diferentes formas como a genética pode afetar uma vítima de Covid-19, desde o nível de gravidade dos sintomas à facilidade com que o vírus infecta as células. No entanto, ainda não existe um consenso final sobre o assunto. Uma dessas pesquisas, por exemplo, sugere que fatores genéticos podem ser responsáveis por 50% das diferenças de sintomas de Covid-19.

O que se sabe até agora é que existe uma série de fatores que podem aumentar o risco de um paciente com Covid-19 desenvolver complicações graves. Condições como excesso de peso, doenças cardíacas, diabetes e hábito de fumar podem estar fortemente relacionadas ao ambiente e comportamento das pessoas, não apenas à genética. Pesquisadores acreditam também que aqueles que já contraíram algum outro coronavírus no passado, como os que causam gripes comuns, também podem ter uma propensão menor a desenvolver sintomas graves.

[The New York Times]