Gêmeas criadas separadas apresentam diferenças nas habilidades cognitivas

Gêmeas nascidas na Coreia do Sul foram separadas na infância, e passaram a viver em países diferentes. Entenda o impacto da mudança em seu desenvolvimento
Gêmeos
Imagem: billow926/Unsplash/Reprodução

Um par de gêmeas monozigóticas – quando um único óvulo é fertilizado por um único espermatozoide – nasceu na Coreia do Sul em 1974. Dois anos depois, a dupla acabou separada. Uma das meninas se perdeu no mercado durante uma saída com a avó. Ela acabou sendo levada a um hospital, que ficava a 160 quilômetros da casa de sua família, e não foi mais encontrada. A criança foi, então, adotada por um casal de americanos, sendo criada do outro lado do mundo. 

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A história se resolveu em 2018, após a mulher criada nos EUA fornecer uma amostra de DNA como parte de um programa para rastrear crianças perdidas na Coreia do Sul. Pesquisadores da Universidade da Califórnia viram no reencontro a oportunidade perfeita para estudar as diferenças entre gêmeos criados em culturas diferentes. 

Eles submeteram as gêmeas a uma série de testes e entrevistas que visavam avaliar seus traços de personalidade, autoestima, inteligência geral, entre outros fatores. Os resultados foram publicados recentemente na revista científica Personality and Individual Differences.

Vários traços se mantiveram intactos apesar da distância. Elas tinham semelhanças em quesitos como sua personalidade, autoestima, saúde mental, satisfação no trabalho e um histórico médico parecido, por exemplo.

Por outro lado, as pontuações de inteligência geral e raciocínio não verbal mostraram algumas diferenças marcantes, sugerindo uma maior influência do meio nestes pontos. 

A gêmea criada na Coreia do Sul se saiu melhor nos testes, com uma diferença geral de QI de 16 pontos. A irmã criada nos EUA sofreu três concussões quando adulta, mas os cientistas não sabem dizer com certeza se as lesões cerebrais podem ter afetado as pontuações de seus testes cognitivos.

Os pesquisadores sugerem uma maior influência do meio. A gêmea que permaneceu na Ásia relatou ter sido criada em um ambiente familiar mais solidário, criando mais valores coletivistas. Enquanto a gêmea que viajou à América do Norte cresceu com pais rígidos, religiosos e enfrentou maiores conflitos familiares, tendo desenvolvido valores individualistas. 

Vale dizer que este é apenas um exemplo de gêmeos criados em diferentes partes do mundo. Os cientistas devem buscar por mais casos para chegar a conclusões ainda mais certeiras sobre a influência que o meio exerce nos humanos.

Carolina Fioratti

Carolina Fioratti

Repórter responsável pela cobertura de saúde e ciência, com passagem pela Revista Superinteressante. Entusiasta de temas e pautas sociais, está sempre pronta para novas discussões.

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