No ano passado, o Google anunciou o Project Mainline com o objetivo de facilitar o acesso a atualizações do sistema operacional Android. Agora, com o lançamento do Android 12 no horizonte para 2021, a empresa pode estar planejando transformar o Android Runtime (conhecido como ART) em um módulo Mainline para que as atualizações sejam disponibilizadas diretamente pela Play Store.

A novidade foi relata por um membro do XDA Developers, luca020400, que encontrou uma declaração de um engenheiro do Google sobre os planos da empresa. Conforme o site explica, o ART basicamente traduz os bytecodes de aplicativos Android em instruções nativas.

Assim, a mudança daria um controle maior ao Google sobre o sistema, permitindo atualizar apenas o ART e disponibilizar as novas versões pela Play Store. A vantagem é que isso significaria atualizações mais rápidas e frequentes do Android. Ao contrário da Apple, o sistema operacional do Google é fragmentado, com cada fabricante realizando suas próprias alterações no sistema e, dessa forma, dificultando o lançamento de atualizações de segurança.

Conforme explica o XDA Developers:

O Projeto Mainline estende os esforços do Projeto Treble. Enquanto o Treble reduziu a dependência dos OEMs dos fornecedores de SoC para cada atualização do sistema operacional, o Mainline reduz a dependência do Google dos OEMs para fornecer atualizações de segurança aos principais componentes do sistema operacional. O Project Mainline estende a filosofia Treble a partes mais críticas da estrutura Android, removendo os OEMs como intermediários dependentes dessa equação. O objetivo do Projeto Mainline é que o Google retire o controle dos componentes da estrutura e dos aplicativos do sistema que são essenciais para a segurança e a manutenção da consistência do desenvolvimento dos OEMs. O Project Mainline é apropriadamente considerado a maior mudança no Android desde o Project Treble .

Para que isso funcione de forma consistente, o Google deverá adaptar o ART para que ele se comporte da mesma forma em diferente dispositivos Android. Com isso, as fabricantes não teriam mais tanta liberdade para mexer no sistema. Ainda assim, considerando a demora que os usuários costumam enfrentar para receberem uma atualização, esse é um pequeno preço a se pagar para garantir que os dispositivos não fiquem vulneráveis por tanto tempo.

Agora vai?

Não é a primeira vez que ouvimos que o Google vai adotar uma arquitetura mais modular para tentar contornar a lentidão de fabricantes.

Em 2017, a empresa anunciou o Project Treble, que marcou uma separação entre códigos gerais do SO e códigos específicos para cada hardware. No ano passado, a empresa prometeu que o Android 10 chegaria mais rápido graças ao Treble. Porém, um ano depois do lançamento, de acordo com o StatCounter, apenas 36% da base instalada roda essa versão, enquanto o Android 11 nem sequer aparece na lista.

Mesmo iniciativas do Google para distribuir atualizações mais rápido não parecem ter vingado. Como notou o Android Central, só celulares da Nokia e um único aparelho da Motorola foram lançados em 2020 como parte do programa Android One, que traz uma versão mais “pura” do sistema. Além disso, mesmo esses smartphones estão tendo atrasos: o Android 11 só vai chegar aos aparelhos da Nokia no primeiro trimestre de 2021.

[Android Authority, XDA Developers]