Com o passar dos anos, o Google se tornou famoso por matar seus projetos, amados ou não. A vítima mais recente rolou na semana passada, com o anúncio de que a empresa recuava de uma polêmica atualização de mecanismo de pesquisa — que tornava quase impossível distinguir resultados de pesquisa orgânica e resultados pagos.

“Ouvimos seus comentários sobre a aparência”, tuitou o “contato de pesquisa”, Danny Sullivan, em uma thread na última sexta-feira. “Sempre queremos melhorar a pesquisa, para experimentar novos canais para favicons”.

Os “favicons” do Google são as minúsculas imagens que um site relacionado à sua pesquisa pode colocar ao lado do nome nos resultados de busca do Google. Com a nova atualização, os anúncios de pesquisa obtiveram seus próprios favicons: um pequeno ad (“anúncio”) em fonte preta em negrito, substituindo o texto verde que anteriormente indicava o que é — e não é — um anúncio desde o início da pesquisa do Google.

Antes e depois de mudança da busca do Google no celularRepare que no lado esquerdo o anúncio tem link na cor verde e ainda tem um “ad”; já no exemplo da direita, tem apenas um “ad” em preto

O Google enfatizou que a reformulação inicial era sobre “espelhar” o design elegante adotado pelo mecanismo de busca para dispositivos móveis e que seus testes iniciais em telas maiores eram “positivos”. Por acaso, o aprimoramento estético fez com que cada anúncio parecesse um resultado da pesquisa convencional. Uma medida que certamente seria boa para os negócios de publicidade, pelo menos no papel.

Tradução: Aqui está nosso comunicado completo sobre por que vamos fazer mais testes. Nossos primeiros testes de design para desktop foram positivos. Mas nós gostamos do feedback, da confiança que as pessoas depositam no Google e estamos dedicados a melhorar a experiência.

Estamos dedicados a melhorar nossa experiências de Busca para desktop, e como parte de nosso esforços lançamos um novo design na última semana, espelhando o design que implementamos no mobile há muitos meses.

O design foi bem recebido por usuários nas telas de smartphone, pois ajuda as pessoas a visualizarem de onde as informações vêm e elas também podem ver um rótulo preto de anúncio na parte de cima. Publishers nos disseram que eles gostariam de ter a iconografia de suas marcas nas páginas de resultado de busca. Embora os testes iniciais no desktop foram positivos, nós estamos sempre incorporando feedback de nossos usuários. Nós estamos experimentando uma mudança dos favicons no desktop, e continuaremos a iterar o design com o tempo.

Nos últimos anos, as taxas de cliques dos anúncios na parte superior e inferior do mecanismo de busca caíram mais do que alguns pontos percentuais e, com isso, o custo que os anunciantes estão dispostos a pagar ao Google. Como a New York Magazine apontou há cerca de um ano, o custo por clique que os anunciantes estavam dispostos a pagar para aparecer na pesquisa do Google caiu mais de um quarto entre 2018 e 2019 — e durante o mesmo período, enquanto o mesmo número aumentou para o Facebook.

Também aumentou notavelmente para a Amazon — que é provavelmente o primeiro lugar em que muitos de nós procurariam comida de gato barata em primeiro lugar. Saber o que as pessoas querem comprar — e quando — é um atrativo para os anunciantes, e pode ser por isso que a empresa de Jeff Bezos consome cada vez mais seus orçamentos neste ramo a cada ano que passa.

O Google, por sua vez, não corre o risco de abandonar o domínio que possui sobre o ecossistema de anúncios digitais — junto com o Facebook, a empresa ainda engole a maior parte do dinheiro que é distribuído online. Mas está ficando cada vez mais claro que o Google sente que seu território está sendo invadido — o que pode explicar esse passo drástico para obter esses cliques. Por acaso, isso acabou atropelando a confiança de seus usuários no processo.