Três anos depois de adquirir o laboratório de robótica Boston Dynamics, do MIT – produtores do Atlas e de outros robôs assustadores –, a Alphabet (empresa-mãe do Google) está o vendendo para a SoftBank, empresa de telecomunicações japonesa já conhecida por seus robôs menos assustadores, como o Pepper, que pode em breve receber melhorias impressionantes. Acontece que postar vídeos no YouTube de robôs de dar pesadelos não é tão lucrativo quanto um dia foi esperado.

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Os detalhes da venda, como quanto a SoftBank pagou pela agora extinta divisão Replicant, do Google, não foram revelados ainda. Você deve lembrar que o laboratório foi fundado pelo criador do Android Andy Rubin antes que ele deixasse a Alphabet para fazer smartphones novamente. Mas a venda também inclui a Schaft, outra talentosa construtora de robôs que dominou o desafio DARPA alguns anos atrás.

A Alphabet tem, supostamente, tentado vender sua divisão de robôs há quase um ano, com empresas como Amazon e Toyota inicialmente especuladas como possíveis compradoras. Embora o Boston Dynamics tenha sido responsável por criar alguns dos robôs mais avançados já construídos, incluindo o humanoide Atlas e os quadrúpedes Spot e Big-Dog, tecnologias avançadas custam caro. A realidade é que a Alphabet ainda via pela frente anos de pesquisa e desenvolvimento antes que pudesse lucrativamente vender suas criações robóticas, e o Boston Dynamics e a Schaft se tornaram vítimas dos esforços da companhia de voltar para seus investimentos em moonshots.

Em fevereiro, o Boston Dynamics revelou um robô chamado Handle, versão bípede do Atlas que o fundador do laboratório, Marc Raibert, afirmou poder ser construído e vendido muito mais barato do que robôs como o Atlas. Àquela altura, a Alphabet já estava negociando o Boston Dynamics e a Schaft como parte de iniciativas de economia de custos e reestruturação que viram outros projetos moonshots sendo cortados também. E muitos suspeitaram que o Handle, que sem dúvidas já esteve há algum tempo em desenvolvimento, só foi revelado como uma maneira de tornar os produtos mais atraentes para potenciais compradores.

Então, o que é que a SoftBank quer com o Boston Dynamics e a Schaft? A gigante de telecomunicações japonesa já despejou montanhas de dinheiro desenvolvendo seus amigáveis robôs Pepper e NAO, depois de comprar a Aldebaran Robotics em 2012, por mais de US$ 100 milhões, e investir US$ 20 milhões na Fetch Robotics, em 2015. A demanda para o Pepper e o NAO no Japão tem sido enorme, com a SoftBank esgotando seus estoques quase imediatamente após eles serem disponibilizados. Portanto, a empresa está claramente confiante de que pode ganhar um dinheiro vendendo robôs, já que existe uma demanda imediata do consumidor.

Em um comunicado de imprensa sobre a aquisição, o presidente e CEO da Softbank, Masayoshi Son, exaltou o trabalho que o Boston Dynamics já fez. “A robótica inteligente será um dos principais impulsionadores da próxima etapa da Revolução da Informação, e Marc e sua equipe do Boston Dynamics são obviamente os líderes tecnológicos em robôs dinâmicos avançados. Estou animado de dar-lhes as boas-vindas à família SoftBank e ansioso para apoiá-los conforme continuam a avançar no campo da robótica e a explorar aplicações que ajudem a tornar a vida mais fácil, segura e gratificante.”

Mas a SoftBank vai ter a mesma abordagem do Google e simplesmente deixar que o Boston Dynamics e a Schaft desenvolvam robôs avançados em nome do progresso do campo? Ou ela planeja se unir a eles com suas equipes de robótica na esperança de fazer com que robôs como o Pepper e o NAO sejam mais atrativos para os consumidores? Pesquisa e desenvolvimento são caros, e é seguro presumir que o Boston Dynamics e a Schaft não foram baratos. Portanto, a empresa quase certamente vai equilibrar cuidadosamente ambas as abordagens, o que significa que os seus sonhos de um robô mordomo de repente ficaram mais próximos de se tornarem realidade.