Quanto custa um jogo bacana para smartphones? Há exemplos de jogos extremamente baratos, alguns um tiquinho mais salgados, vários gratuitos. Cabe ao desenvolvedor escolher quanto e como cobrar pelo seu trabalho. O problema é quando o preço escolhido, baixíssimo no caso, é ignorado pela pirataria indiscriminada. Dead Trigger foi a última vítima.

Dead Trigger é um FPS de zumbis dos mesmos criadores do aclamado Shadowgun. Custava US$ 0,99 para Android e iPhone, mas devido à pirataria feroz no Android, os desenvolvedores optaram por deixar o jogo gratuito. Não estavam ganhando nada mesmo…

A declaração dos caras é quase triste:

“Sobre a remoção do preço. AQUI está a nossa declaração. O motivo principal: a taxa de pirataria nos dispositivos Android, que é inacreditavelmente alta. A princípio pensamos em tornar o jogo disponível para o maior número de pessoas possível — por isso ele custava menos de um dólar. Era muito menos que os US$ 8 de Shadowgun, mas por outro lado não ousamos oferecê-lo de graça, já que não tínhamos experiência com o formato free-to-play até então. Entretanto, mesmo por US$ 1, o nível de pirataria é tãããão grande que decidimos, por fim, oferecer Dead Trigger de graça. De qualquer forma, Dead Trigger não é FREEMIUM, ele foi e sempre será FREE-TO-PLAY, o que significa que todos os jogadores podem se divertir sem in-app purchases! Nós nos comprometemos com essa declaração porque todos os membros do nosso time estão jogando (e se divertindo) com Dead Trigger sem in-app purchases.”

O caso de Dead Trigger é mais um que se acumula aos fracassos comerciais no Android. A plataforma está crescendo muito, em quantidade de apps e qualidade também, mas cases de sucesso na venda de apps e jogos ainda são escassos. Isso gera um efeito dominó que faz mal à plataforma como um todo, inclusive, no fim da cadeia, aos próprios usuários. Com essa incerteza quanto ao faturamento, desenvolvedores ficam com um pé atrás na hora de dedicar tempo e esforço para criar apps e prestar suporte a eles na plataforma do Google.

O Jelly Bean promete um upgrade em segurança para os desenvolvedores graças a um recurso chamado apps criptografados: antes de ser baixado, todos os apps pagos ganharão uma chave criptográfica que o atrelará ao dispositivo em questão. A solução é promissora, mas esbarra em outro problema de longa data no Android, o da fragmentação. Faz pouco tempo que o Ice Cream Sandwich chegou a 10% dos usuários — oito meses depois de lançado. Nada indica que o ritmo de adoção do seu sucessor, o Jelly Bean, será mais rápido. [Facebook, iThinkDifferent]