A Grande Barreira de Corais está ameaçada pelo aquecimento das águas, mais uma vez. O fenômeno está ligado à nossa incapacidade de tomar ações contra a emergência climática.

O Centro de Excelência ARC para Estudos dos Recifes de Coral da Universidade James Cook da Austrália publicou um estudo nesta terça-feira (7), delineando um evento de branqueamento em massa que tem acontecido ao largo da costa australiana.

O branqueamento ocorre quando a água está quente, empurrando para fora as algas simbióticas que ajudam os corais a se alimentarem e que dá cor a eles. É por isso que os corais ficam brancos durante estes eventos.

Embora nem sempre seja o caso, o branqueamento pode matar os corais – e a Grande Barreira de Corais tem um histórico recente de mortes. Desta vez, porém, o fenômeno parece pior, além de ser o terceiro branqueamento no recife em cinco anos, marcando uma tendência preocupante.

“Essa é apenas uma estatística assustadora e, claro, uma que nos ajuda a lembrar a ameaça aguda que os recifes sofrem todos os anos”, disse a pesquisadora de corais da Georgia Tech, Kim Cobb, ao Gizmodo. “Mas a Grande Barreira de Corais parece sofrer golpes repetidos. É horrível de se ver.”

Nas últimas duas semanas de março, os pesquisadores realizaram levantamentos aéreos de 1.036 recifes de coral para medir a extensão do clareamento. Suas pesquisas revelaram que as seções norte, central e sul do recife estão sofrendo com o fenômeno.

Em 2016, a parte norte foi a que mais sofreu. Em 2017, foi a parte central. Desta vez, todo o recife, incluindo a região sul da Grande Barreira de Corais – que havia sido poupada anteriormente – está sofrendo branqueamento.

“A questão é que quando você tem bolsões de recifes que permanecem saudáveis através desses eventos, você obviamente tem mais chances de ter uma resiliência em maior escala porque há um recife adjacente saudável a esse sistema maior”, disse Cobb. “Esse foi um raio de luz nos eventos de branqueamento de 2016 e 2017. Desta vez, é claro, isso foi apagado.”

Fevereiro viu as temperaturas mais altas já registadas nas águas ao redor do recife. Calor extremo como esse podem estressar os corais até à morte, mas a equipe não saberá se isso aconteceu mesmo até que entrem nas águas no final deste ano e avaliem os danos.

Infelizmente, as águas dos oceanos só vão ficar mais quentes. As ondas de calor marinhas tornaram-se mais comuns e mais fortes nas últimas décadas, à medida que a poluição causada pelo carbono aquece todo o planeta. Os corais não são as únicas espécies que sofrem. Os crustáceos e os tubarões também.

As pessoas também estão no mesmo barco. Nós dependemos dos ecossistemas marinhos para o turismo e a pesca, entre outras coisas. Até a indústria biomédica está à procura de uma cura para o câncer nos recifes.

Perder a Grande Barreira de Corais equivaleria a um prejuízo de US$ 56 bilhões para a Austrália. Além do dinheiro, porém, a morte dos corais deixaria um buraco do tamanho de um Patrimônio Mundial.

Terry Hughes, diretor do Centro ARC, tuitou há algumas semanas durante as pesquisas que ver a Grande Barreira de Corais sofrer é como ser “um amante da arte vagando pelo Louvre… enquanto ele arde em fogo.”

A única forma de salvar essa obra-prima é por meio de uma redução drástica das emissões de gases com efeito de estufa.