A Samsung tem um novo híbrido: pressione um botão, e o notebook vira tablet. Ele roda Windows 8, sistema pensado para PCs e tablets, e que permite criar esse tipo de dispositivo. Mas, na prática, dá certo? Nós testamos.

Brincamos com o modelo menos poderoso — e mais palatável ao bolso de pessoas de carne e osso. Ele tem tela de 11,6 polegadas com resolução de 1366×768 pixels, processador Intel Atom e 2GB de RAM. Com 9,6mm de espessura, ele pesa 750g.

Parece que a Samsung não decidiu como chama este aparelho (Smart 5, talvez?). Vou chamá-lo de Ativ Smart PC, assim como a Samsung em seu evento Unpacked, onde fizemos o hands-on.

Modo tablet

O Ativ Smart PC passa uma sensação relativamente leve ao ser empunhado: o peso é 100g maior que o do último iPad, mas como ele é distribuído por uma área maior, o efeito é diferente. Ele tem duas saídas de alto-falantes bem finas na parte frontal, que não interferem tanto no visual e, além disso, há apenas um botão fisico Windows, que leva você para a tela Iniciar.

Falemos do Windows 8: sim, ele continua impressionando em tablets. A interface é rapida e fluida, do jeito que a Microsoft quis: deslize o dedo pela tela, e tudo responde sem qualquer demora. No rápido teste que fizemos, a experiência foi sempre ágil ao abrir apps, e ao usá-los também. Nada de engasgos.

Os elementos da tela fazem sentido para o toque, seja nos blocos da tela Iniciar, seja em botões menores das configurações. Mesmo na área de trabalho, até que deu certo comandá-la com os dedos! E isso mesmo com os elementos da interface diminutos: eles não inspiram tanta confiança ao toque, mas funcionam.

Alternar entre apps, no entanto, foi uma experiência levemente frustrante. No Windows 8, você faz isso deslizando o dedo na borda esquerda. So que o Ativ Smart PC demorava em exibir o proximo app, e eu não sabia se a tela havia entendido meu comando. Uma pequena irritação, mas que não desmoronou a boa impressão geral.

Modo notebook

O Ativ Smart PC possui um dock onde você encaixa a tela de forma magnética. Só quando você une o tablet ao dock, você consegue usar o teclado e trackpad. Para destacar a tela, basta apertar um botão. É uma solução mais feia que a do Asus Eee Pad Transformer, por exemplo, e merecia mais cuidado da Samsung.

E como fica a transição para o teclado? Com estilo chiclete, as teclas parecem ter a altura certa, e o teclado é bem responsivo. Há espaco o bastante entre as teclas, e quase todos os botões parecem ter o tamanho certo. No entanto, as teclas direcionais (cima/baixo/esquerda/direita) são muito pequenas, e é através delas que se acessam os comandos Home/End/Pg Up/Pg Down (usando a tecla Fn). Isso pode ser incomodo para quem digita muito.

E o trackpad? Eu ja me acostumei ao Windows 8 no meu laptop, entao nao foi problema usá-lo no Ativ Smart PC. Na verdade, foi melhor que no meu laptop: o trackpad tem gestos específicos para abrir a barra de charms, e para alternar entre apps. Além disso, usar dois dedos para rolar listas funcionou sem problemas, assim como usar dois dedos para o zoom semântico. Porém, o trackpad não é lá muito grande, então nao espere uma experiência tão completa e ideal — dentro de suas limitações, ele funciona muito bem.

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Com o Ativ Smart PC, a Samsung aumentou minha esperança de que híbridos podem dar certo. Se no inicio os conceitos eram meio bizarros, parece que uma ideia simples — um tablet com teclado destacavel — tem chance de ir além. Será que isso poderá realmente unir o melhor do PC e do tablet? É cedo para dizer, mas estou cada vez mais tentado a comprar um hibrido como estes.

Tudo depende tambem do preço. Nos EUA, o Ativ Smart PC custará US$750 com teclado, ou US$650 sem ele. Isto me parece caro para um notebook com Atom, e não me serviria como companheiro diário — preciso de um hardware melhor. Felizmente, a Samsung tem o Ativ Smart PC Pro, com processador Core i5 e tela Full-HD, que custará US$1.200. No fim, o valor ainda é alto, mas se a promessa híbrida se concretizar nele, talvez o investimento valha. Para termos certeza, testaremos o segundo modelo nos próximos dias, nos galpões da IFA, para tentar descobrir se há um futuro completo nos conversíveis da Samsung.