Eis a boa notícia: o Digg Reader é uma coisa real, e você poderá usá-lo a partir da próxima quarta-feira, 26 de junho. Recebi um convite para o serviço e, com um clique, importei meus mais de 500 feeds do Google Reader em segundos. E funcionou muito bem.

Depois de fuçar um pouco, percebi que estava diante do produto que todos esperavam desde que o Digg anunciou seu ambicioso plano de substituir o Google Reader: um leitor RSS em preto, branco e cinza. Se você acompanha o que acontece no Digg desde a história com a Betaworks, você vai reconhecer o design limpo e minimalista. Ele vai ganhar algumas coisas até o lançamento da versão final na semana que vem. O Digg insiste em dizer que eu usei um “beta-beta”. A versão que estou mexendo é assim, e tem a maior parte das coisas que você vai ver na semana que vem.

diggreader

É o mesmo Reader que você usava…

Todos os seus feeds, organizados nas mesmas categorias. Os itens que você marcou com estrela estão aqui, mas os seus marcadores não serão recuperados. Os itens tem as opções de compartilhamento social que você já conhece, então é bem fácil compartilhar algo no Facebook.

…com alguns recursos novos…

O Digg se esforçou pra incorporar recursos de outros serviços próprios no Reader. Você vai encontrar um “I” para o Instapaper próximo ao botão de compartilhamento em todos os itens. Com ele, você pode salvar os artigos para ler mais tarde no popular serviço que a Betaworks comprou há pouco mais de um mês. Na barra lateral, você vai ver as categorias “Diggs” e “Popular”. A primeira mostra artigos que receberam votos positivos na página inicial do Digg. A segunda usa a tecnologia proprietária da empresa para mostrar o que as pessoas estão comentando.

…e podemos esperar mais coisas no futuro

O Reader em si não é uma revolução. Na verdade, o pessoal da Betaworks (a empresa que é dona do Digg) gostaria que você respirasse fundo antes de ficar decepcionado com os recursos dele. O Digg Reader foi desenvolvido incrivelmente rápido, e ainda não está completo. O Google vai expulsar todo mundo do Google Reader no dia 1 de julho, mesmo que o Digg Reader não esteja pronto. Se a empresa tem outros planos para o produto, ela precisava ter certeza que teríamos um lugar para ir enquanto esperamos por isso – agora pode incorporar as novidades com mais calma.

Se você comparar os recursos reais do produto no momento, ele parece só mais uma alternativa ao Google Reader como várias outras disponíveis por aí. A visão a longo prazo, nos disseram, é desenvolver mais recursos como a aba “Popular” para você conseguir filtrar e processar as notícias. A empresa está experimentando, por exemplo, uma ferramenta que divide os artigos pelo nível de leitura. Dê um clique e posts com GIFs animados vão para baixo, enquanto leituras mais profundas surgem no topo. É algo que concorrentes como o Feedly ainda não oferecem.

E nós pagaremos o preço de alguma forma

É difícil entender qual é o grande plano aqui. Filtrar as coisas que você separa para si mesmo é um serviço valioso. Ao mesmo tempo, o RSS é uma tecnologia um tanto antiquada, e você pode se perguntar se confiar em algumas contas para seguir no Twitter não é um método melhor – afinal, é mais ou menos isso que o Digg está fazendo.

Para uma empresa como a Betaworks, que investe bastante em análises, um Digg Reader faz bastante sentido. Digg, Charbeat e Socialflow todos coletam dados dos usuários. O Digg Reader se encaixa bem nesta visão.

O que não significa nada, mas aponta qual é o plano de negócios aqui. O Google Reader não fazia dinheiro, e o Digg Reader precisa fazer. A empresa já disse que vai criar um produto freemium, então recursos mais avançados vão custar um pouco mais do que seus dados – vão custar o seu dinheiro.

As pessoas amavam o Google Reader por causa da sua API aberta que podia ser colocada no que você quisesse. O Digg já está criando integração de API para serviços como IFTTT, mas os dias de glória do Google Reader se foram.

Apenas o começo

É difícil fazer qualquer comentário sobre o Digg Reader além de dizer “ele importou meus feeds com sucesso”. É isso que ele PRECISA fazer, certo? Se o Google nos abandonou, o Digg veio nos resgatar. É interessante ver o que o futuro nos reserva, mas, neste momento, é o suficiente para continuarmos lendo nossos feeds.