O Samsung Galaxy Note acaba de crescer para 8 polegadas. E ele é bacana, combinando um monte de coisas que a Samsung criou nas linhas Galaxy S e Note e colocando-as em um tablet de tamanho quase perfeito. Duas coisas, no entanto. Primeiro, não sabemos quanto ele custa, e o preço é um fator muito importante para tablets de 7-8 polegadas. Segundo, a versão 3G/4G internacional serve como um smartphone… de 8 polegadas.

Primeiro, alguns detalhes sobre o Note como tablet. (As especificações completas estão no fim do post.) Sua tela de 8 polegadas possui resolução 1280×800 (proporção 16:10), a mesma do Kindle Fire HD de 7 polegadas – embora, obviamente, tenha uma densidade de pixels menor (189 ppi contra 216 ppi) dado que sua tela é maior.

Isso é bom, mas apesar de ter uma densidade maior que no iPad Mini (163 ppi, 1024×768, 4:3), ainda não é o tipo de tela nítida e impecável que se encontra em tablets maiores. Consegui discernir pixels aqui e ali, e o equilíbrio de cores não parecia correto; mas segurando-o para ler páginas da web, tudo parecia bem. Em termos humanos, isso significa que ele tem uma tela boa, mas não ótima – algo que você talvez não perceba se não usar frequentemente tablets com resolução maior, como o Nexus 10 ou o iPad 4.

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O Note 8 tem especificações internas que superam as de outros tablets, como seu processador quad-core Exynos 4 Quad de 1,6GHz. Isso o coloca à frente do Fire HD, basicamente em pé de igualdade com o Nexus 7, e em uma classe mais elevada que o iPad Mini, com componentes de geração passada. (O Mini usa um chip A5, mesmo encontrado no iPad 2.)

No entanto, o Note sofre de lag em lugares onde o Mini e Nexus 7 simplesmente não passam por isso. Você vê isso arrastando para baixo o centro de notificações do Android, por exemplo. Também é possível colocar dois apps lado a lado (o que faz muito mais sentido aqui do que no Note 2 e sua tela de 5,5 polegadas); no entanto, abrir e fechar a barra lateral para escolher um segundo app também exibe lag. Além disso, o Note 8 não registrou, por um número estranhamente elevado de vezes, quando eu deslizava meu dedo sobre a tela. O firmware do Note 8 não é final, e ele é muito rápido em várias outras coisas, de modo que o problema deve estar no software. Mas é o tipo de coisa que já entrou sorrateiramente no software da Samsung antes. Há muita boa coisa no aparelho, só que o TouchWiz ainda pesa.

E ainda temos a parte em que o Note 8 é um celular. A Samsung promete versões Wi-Fi, 3G e 4G LTE; os modelos com conexão celular poderão fazer ligações.

Olha, faz sentido ver smartphones e tablets convergindo. E, obviamente, a maioria das pessoas não usaria algo de 8 polegadas como um celular, segurando-o ao lado da cabeça. Elas usariam fones de ouvido Bluetooth ou fones com microfone embutido. Mas será que alguém realmente levaria consigo um celular de 8 polegadas em todos os momentos, usando sempre um chip de voz+dados? Acho difícil, mesmo que fosse ótimo levar um gadget a menos por aí. Há muitas piadas sobre o iPad ser um iPod Touch gigante, mas isto aqui é literalmente um Galaxy S III enorme. E é fácil responder a pergunta “por que não?”. Mas sério… por quê?!

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O Note 8 é extremamente confortável de segurar, apesar de seu corpo de plástico não dar a sensação de solidez presente no Nexus 7, iPad Mini e Kindle Fire HD. A borda é bem maior que a do iPad Mini, mas parece menor que a do Kindle Fire HD (a diferença de tamanho nos dois tablets pode impactar essa percepção, no entanto). Para segurar em uma só mão, ele parece um bom meio-termo entre os dois.

O software para a caneta S Pen evoluiu bastante desde que foi lançado, e chegou a um ponto em que escrever um URL com a caneta parece muito mais fácil do que digitá-la com seus polegares. Tomar notas continua sendo prático, principalmente devido ao espaçamento e quebras de linha, mas a precisão é muito melhor do que vi no lançamento do Note 10.1 e Note 2.

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A Samsung também expandiu alguns recursos da S Pen, como pairar a caneta sobre elementos de interface em apps para fazer surgir um texto “mouseover”. O Flipboard tem uma nova atualização para isso, mas é difícil ver a função ganhar muito apoio dos desenvolvedores, já que dispositivos Android de outras fabricantes (e vários da Samsung) não podem fazer uso disso.

Outras pequenas novidades incluem usar a S Pen sobre os botões capacitivos Voltar e Menu, para você não ter que usar o dedo; um modo de leitura que muda o contraste entre texto e plano de fundo, tornando aplicativos como o Kindle mais fáceis de ler; uma versão exclusiva do app Awesome Note para Android; e, por algum motivo profano, inserir clip-art em imagens escrevendo a palavra correspondente – escreva “dog” e surge um cachorro, por exemplo. Sério.

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A Samsung tem celulares e tablets em quase todos os tamanhos, de 4 a até 10 polegadas – e além. Mas parece que a estratégia de atirar para todo lado agora está enfim chegando a algo muito bom. Mesmo assim, é melhor esperar e ver como a Samsung vai lidar com os problemas de software; e certamente precisamos esperar pelo preço – especialmente onde a concorrência na faixa de 7-8″ for alta, e os preços forem baixos.

O Galaxy Note 8.0 será lançado mundialmente no segundo trimestre, e será anunciado oficialmente na Mobile World Congress, evento que ocorre esta semana em Barcelona. O Gizmodo Brasil vai cobrir a feira, e ouvimos da Samsung que rolarão outras surpresas na MWC – então ficaremos de olho.

Especificações do Samsung Galaxy Note 8.0:

  • Conectividade: HSPA + 21Mbps 850/900/1900/2100; WiFi a/b/g/n, Bluetooth 4.0, A-GPS, GLONASS
  • Dimensões (versão 3G): 210,8 mm x 135,9 mm x 7,95 mm
  • Peso: 338 gramas
  • Processador: Exynos 4 Quad; quad-core de arquitetura Cortex-A9 a 1,6GHz
  • Memória: 2 GB de RAM
  • Armazenamento: 16/32GB; microSD
  • Tela: TFT de 8″ WXGA (1280×800, 189 ppi)
  • Software: Android 4.1.2 (Jelly Bean) com TouchWiz UX
  • Bateria: 4.600 mAh