Desde que testei o Galaxy Note II pela primeira vez, há quase um ano, gostei do que vi: sim, ele é enorme, mas evoluiu em muitos aspectos em relação ao modelo original. Como torná-lo ainda melhor?

Consultando seus usuários do Note II, a Samsung descobriu que eles queriam três coisas: uma tela maior, mais usos para a caneta S Pen e um design premium. Com base nisso, criou-se o Galaxy Note 3.

Agora a tela Super AMOLED possui 5,68 polegadas na diagonal; mesmo sendo maior, o Note 3 tem a mesma largura da geração anterior. Assim como em outros modelos, a Samsung conseguiu deixar as bordas mais finas para manter inalteradas as dimensões do foblet.

E a Samsung colocou (ainda) mais pixels na tela. Talvez você perceba que a tela agora tem resolução Full-HD. Ou talvez não perceba: assim como a evolução do S III para o S4, não é um salto tão grande ou tão visível, mas por um bom motivo – a tela do Note II já é muito boa.

Ela também manteve a proporção 16:9 da tela, facilitando (um pouco) o uso com uma das mãos. No entanto, agora a tela fica mais baixa que as bordas laterais, então não há aquela sensação mais natural, quando seu dedo desliza sem esforço mesmo onde a tela acaba. É uma pena, mas parece ser o custo do Note 3 adotar o design frontal do Galaxy S4.

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Na traseira, o Note 3 recebeu algo… curioso. Para ganhar um aspecto “premium”, ele possui uma tampa removível de plástico que imita couro, com toque suave e costura nas bordas. (É quase um esqueumorfismo na vida real!) São três opções de cores: preto, branco e rosa. No entanto, há mais seis capinhas coloridas que você pode escolher. Não gostou do couro falso? Escolha entre as seis traseiras com cores metálicas, ou uma das capas personalizadas feitas pela Moschino e Nicholas Kirkwood.

A câmera traseira também enfim recebeu um upgrade: ela agora usa um sensor retroiluminado de 13 megapixels. A Samsung promete zero lag entre uma foto e outra; em nosso rápido teste, pudemos comprovar isso. Ela ainda traz um estabilizador inteligente de imagem (via software), e flash LED com alto CRI (índice de reprodução cromática), ou seja, que consegue reproduzir melhor as cores reais dos objetos – em vez de deixá-los brancos e cobertos de luz. Vamos testar mais esta função.

Tem mais: ela grava vídeo em Full-HD a 60 fps e, dependendo do modelo, pode gravar até vídeos na resolução 4K. Ela não será a primeira câmera de smartphone a fazer isto – aí a Acer saiu na frente – mas é um feito impressionante. A câmera frontal de 2 MP também é retroiluminada, possui o estabilizador inteligente e ainda grava em Full-HD.

A câmera tem todos os recursos espertos que a Samsung apresentou no Galaxy S4: Dual Shot (foto com a câmera frontal e traseira); Foto animada (GIF onde certas áreas da imagem se movem); Apagador (elimina pessoas indesejadas da foto) e mais.

E claro que a Samsung deu um up nas especificações. Agora você tem um processador quad-core de 2.3 GHz (na versão 4G) ou octa-core de 1,9 GHz (na versão 3G), onde apenas quatro núcleos funcionam simultaneamente. Não consegui notar nenhum engasgo em meu teste rápido.

Memória? Agora são 3 GB de RAM, e a multitarefa continua bastante veloz. E a bateria aumentou para 3.200 mAh. Ele ficou levemente mais pesado, com 168g, mas agora tem apenas 8,3 mm de espessura.

S Pen

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A nova S Pen lembra muito a caneta da geração anterior. Ela é plana, permitindo segurá-la com mais firmeza; possui um botão que você não pressionará por acidente; e mantém certos truques (segure o botão para tirar screenshot).

Mas agora, ela interage com os botões Menu e Voltar (assim como no Note 8.0). Você pode até usá-la no botão físico Home! No meu teste, eu não precisei largar a caneta em nenhum momento.

A Samsung também tentou deixar a S Pen mais esperta através do Air Command. Aproxime a caneta da tela e aperte o botão: surge um menu circular, lembrando o que vimos no OneNote MX para Windows 8 em touchscreens. No começo, foi um pouco difícil acertar o comando, mas é fácil aprender.

Incômodo é que, após abrir o menu, você precisa dar toque duplo na opção desejada – pelo menos em nosso teste. São cinco opções:

– Action memo: escreva uma anotação, e o Note 3 vai interpretá-la como texto para sugerir ações. Se for um número de telefone, você pode ligar para ele ou adicioná-los aos contatos. Se for um endereço, busque-o no Google Maps. Se for uma lista de tarefas, leve-a para o S Planner.

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E ele funciona bem: escrevi “Gizmodo Brasil” em uma letra não muito compreensível; pedi para ele buscar o termo no Google, e ele o entendeu perfeitamente. A nota fica minimizada; toque nela com a caneta para abri-la novamente, ou mude-a de posição arrastando-a para outro lugar da tela.

– Scrapbook: uma forma mais inteligente de guardar informações. Por exemplo, quer guardar uma página da web? Desenhe um círculo em cima dela, e ela vai para o app Scrapbook com a URL. Quer guardar um vídeo do YouTube? Abra o app do YouTube, circule o vídeo, e ele guarda a URL também. E ele é esperto: por exemplo, eu circulei o widget de previsão do tempo, e ele guardou a imagem completa do widget – não apenas a parte que eu circulei.

– Captura de tela: tira uma screenshot e permite fazer anotações; para acessar esta função, você também pode segurar a caneta pressionando o botão. Ela fica guardada no novo S Note: o app de anotações ganhou um design mais próxima ao do Samsung Hub, e agora sincroniza tudo com a nuvem – seja usando a conta da Samsung, seja através do Evernote.

– S Finder: um novo app bem bacana da Samsung. Ele traz conteúdo de diversas fontes no seu smartphone – lembretes, fotos, vídeos, chats – mesmo que eles estejam escritos à mão. Com design em cards, semelhante ao Google Now, ele pareceu funcionar muito bem em nosso teste.

– Pen Window: um truque de multitarefa que depende da S Pen. Você desenha um retângulo (ou algo próximo a isso) e surge uma lista de apps. Escolha um, e ele abre no retângulo que você desenhou. O app “flutua” por cima da interface, e você pode deslocá-lo ou redimensioná-lo.

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Software

Mantendo a tradição da Samsung, o Android praticamente não foi mencionado no evento. Só duas vezes: na primeira, o CEO JK Shin foi avisado pelo Galaxy Gear – “não se esqueça de mencionar o Android!”. Na segunda, descobrimos que o Note 3 roda Android 4.3.

Além da TouchWiz, a Samsung levou os truques de software do S4 para o Galaxy Note 3: interagir com a tela usando gestos da mão (Air Gesture); rolar páginas movendo o smartphone (Smart Scroll); pausar vídeos ao tirar os olhos da tela (Smart Pause), entre outros – todos foram para o foblet.

Só que ele tem alguns truques adicionais na manga. Com o novo modo Multijanela, é possível rodar o mesmo app lado a lado, de forma separada. Por exemplo, é possível acessar dois chats do Hangouts simultaneamente. É um dos benefícios de uma tela grande, e nos parece útil.

Mas, como é de costume, a Samsung resolveu colocar algumas funções questionáveis no pacote. O “My Magazine” organiza suas fontes de informação (feeds) em um app com design de revista, algo semelhante ao Flipboard e ao Blink Feed presente no HTC Sense 5.0. Ele traz uma função chamada “Here and Now”, para mostrar o que está acontecendo próximo ao seu local. O app estreia primeiro nos EUA, e depois parte para o restante do mundo.

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E o “Multi vision”, por sua vez, permite juntar vários Galaxy Note 3 para formarem uma única tela, para exibir um só vídeo. Um representante da Samsung me explicou como isso funciona: um deles é o dispositivo “mestre”, e faz streaming do conteúdo para outros Note 3. Por isso, é preciso que eles estejam na mesma rede Wi-Fi e com uma boa conexão.

Esta função requer o Note 3, e funciona entre até cinco dispositivos. Ela é uma extensão do Group Play presente no Galaxy S4, que permite compartilhar música (entre até oito dispositivos) fotos e documentos (entre até dez dispositivos). Chamativa? Com certeza. Útil? Provavelmente não.

O Samsung Galaxy Note 3 estreia mundialmente no final de setembro.

O Gizmodo Brasil viajou para Berlim a convite da TP Vision.