Todos nós já passamos horas – talvez até dias – de nossas vidas esperando pela boa vontade da temida barra de progresso. Mas você já parou para imaginar como seria pior seria se ela não existisse? Felizmente, graças à ideia genial de um pós-graduando nos anos 80, nós nunca teremos que descobrir.

O New York Times decidiu voltar no tempo, indo para uma época na computação em que usuários não faziam ideia se a máquina tinha travado, ou se apenas precisava de um tempo para pensar.

Então Brad A. Myers, um pós-graduando em ciência da computação, apresentou em 1985 um trabalho sobre “indicadores de progresso baseados em porcentagem”. Ele descobriu que isso era útil para tranquilizar os usuários, mostrando que o computador não estava prestes a travar.

O New York Times explica:

Para provar seu argumento, Myers pediu a 48 colegas para realizar buscas em um banco de dados de computador, com e sem uma barra de progresso. (Ele usou uma cápsula que enchia da esquerda para a direita, como um grande termômetro virado de lado.) Em seguida, ele pediu para os colegas darem notas à experiência. 86% disseram que gostaram das barras. “As pessoas não se importavam muito se ela era imprecisa”, diz Myers. “Eles ainda preferiam uma barra de progresso a não ter nada.”

Ou seja, a barra de progresso tem um efeito mais psicológico do que prático. Ela dá uma ideia de controle, mesmo que seja uma ilusão. E há truques para reforçar esse efeito: por exemplo, a barra exibe uma animação contínua da esquerda para a direita, ou avança um pouquinho mesmo que a tarefa esteja parada.

Chris Harrison, da Universidade Carnegie Mellon, mostrou em 2010 que barras de progresso animadas usam ilusões de óptica, e podem fazer um download parecer até 10% mais rápido. O vídeo abaixo dá mais detalhes:

E, como nota o NYT, a barra de progresso tem um “ancestral” que antecede em décadas a era da computação. Da Wikipédia:

O conceito da barra de progresso foi inventado antes da computação digital. Em 1896, Karol Adamiecki desenvolveu um gráfico chamado de harmonograma, mais conhecido hoje como diagrama de Gantt. No entanto, Adamiecki só publicou seu gráfico em 1931, e apenas em polonês. O gráfico, portanto, agora leva o nome de Henry Gantt (1861-1919), que projetou seu diagrama por volta dos anos 1910-1915 e o popularizou no Ocidente.

Sem saber, Adamiecki e Gantt criaram a base para a barra de progresso. Mas agora, nos resta torcer que ela se torne, pouco a pouco, uma relíquia do passado: afinal, com hardware potente e internet mais rápida, ela poderia aparecer menos. Até esse futuro distante chegar, o jeito é ter paciência. [New York Times]

Imagem: Shutterstock/Sergii Korolko