O dono de hotel Hideo Sawada disse que queria gerir “o hotel mais eficiente do mundo“, empregando quase exclusivamente robôs. De acordo com uma nova reportagem, no entanto, o hotel demitiu mais de metade dos seus “funcionários-máquina” por ser ineficiente desde o seu lançamento, em 2015.

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Sawada disse ao Guardian em 2015 que queria que seu hotel, o Henn na, tivesse uma equipe 90% robotizada, mas, de acordo com uma nova reportagem do Wall Street Journal, muitas dessas máquinas são pedaços decorativos de metal na melhor das hipóteses e irritantes na pior. A matéria, publicada na segunda-feira (14), detalha uma série de anedotas que ilustram como as máquinas não estão prontas para assumir nossos empregos e como são especialmente mal preparadas para administrar um hotel. O estabelecimento começou com cerca de 80 robôs, chegando a 243, dos quais mais da metade foi demitida mais tarde.

“Quando você de fato usa robôs, percebe que há lugares onde eles não são necessários — ou que eles apenas incomodam as pessoas”, disse Sawada ao Wall Street Journal.

Um hóspede reclamou que foi acordado regularmente durante a noite por Churi, um assistente virtual robô que foi colocado no quarto de cada hóspede. A máquina ficava perguntando a ele: “Desculpe, eu não entendi. Você poderia repetir seu pedido?”, por ter sido supostamente ativada pelo ronco do hóspede. “O robô no quarto falava muito, mas não conseguíamos entender”, escreveu um hóspede no TripAdvisor em 2016. “O robô em nosso quarto é irritante”, escreveu outro cliente naquele mesmo ano. “Ele fala quando estamos em uma conversa, mas não pôde nos ajudar quando precisávamos.”


GIF: YouTube/Motherboard

O Churi, que consegue ajustar algumas configurações do quarto e responder a comandos de voz, falhou em responder algumas perguntas básicas. Um hóspede em 2017 até tentou ligar para a recepção após “uma conversa zangada com Churi”, mas teve que usar seu telefone pessoal porque o robô deveria funcionar como um operador. Os robôs então foram demitidos.

Outros robôs no hotel incluíam robôs cachorros dançarinos no lobby, dos quais cerca de metade estava disfuncional ou morto durante uma visita em 2016, segundo um hóspede. Havia também robôs concièrges humanoides, mas, como Churi, eles também foram removidos por serem incapazes de responder a perguntas básicas de turistas.

O dinossauro recepcionista. Crédito: YouTube/japanesestuffchannel

Dois robôs dinossauros no check-in também foram supostamente medíocres na execução, exigindo assistência humana para tarefas pequenas como fazer cópias de um passaporte, um serviço provavelmente comum para um agente de recepção. “Sim, havia robôs no check-in, mas tivemos problemas ao escanear nossos passaportes não-japoneses, então um humano teve que ajudar”, escreveu um hóspede no TripAdvisor em 2017.

O hotel também conta com robôs para transportar as bagagens dos hóspedes, mas, aparentemente, eles só funcionam para uma pequena porcentagem do total de quartos, só conseguem se mover ao longo de superfícies planas e são propensos a apresentar falhas caso se molhem em caminhos ao ar livre.

“Eles eram muito lentos e barulhentos e ficavam presos tentando passar um pelo outro”, disse Taishi Mito, hóspede do hotel em 2017, ao Wall Street Journal.

Embora a demissão de mais da metade dos robôs seja uma quantidade assustadora para um hotel determinado em funcionar principalmente por meio de robôs, isso ainda deixa um bom número de robôs em operação. Ainda que, segundo a reportagem, mesmo os que restaram pareçam ser mais como estátuas com grife. “Uma figura humanoide é sustentada em um piano automático no lobby do hotel sem de fato tocar as teclas.”

[Wall Street Journal]