A IBM é uma das empresas que mais investe em pesquisa e, como o governo dos EUA desde que capturou os primeiros aliens, ela tem uma máquina do tempo. A gigante azul colocou alguns dos seus engenheiros nas cápsulas e, como fazem todo mês de dezembro, conta o que eles viram no ano de 2016. Há previsões óbvias e outras bem interessantes, como sempre. Darei alguns pitacos.

O relatório The Next 5 in 5 cita:

1. Você irá gerar a energia que usa
Na Irlanda, a força das ondas está sendo transformada em eletricidade. Outras formas não pensadas de geração de energia irão ficar populares nos próximos anos. A IBM cita a possibilidade de transformar energia de pedaladas para carregar o celular, coisa que a Nokia já lançou comercialmente. Com cada vez mais pessoas usando bicicletas, é algo que certamente vai virar tendência. Mas imagino que ela continue restrita a carregar celulares, MP3 e coisas parecidas. Alguém consegue enxergar as pessoas em 2016 correndo em volta da casa pra ligar a TV?

 

2. Segurança: você nunca mais vai precisar de uma senha
A IBM aposta na biometria, mais precisamente no “biofactor biometrics”: “Na vida real, o uso do escaneamento de retina ou sua voz como senha pare verificação irá substituir as múltiplas senhas para acessar a informação e lugares secretos, caso você decida aceitar a opção.” Isso não é exatamente novo. Há anos o Thinkpad tem um leitor de digitais, o Atrix implantou isso e mais recentemente o Ice Cream Sandwich adotou o sistema de reconhecimento facial, ainda meio bugado. Eu ainda acho que o futuro está nas digitais ou leitura de retina. Coisas mais complexas, como voz, só para dados muito sensíveis, como em postos militares ou de governo. Mas no curto prazo creio que o “use o Facebook como senha” dominará (ao menos já é assim em vários apps para celulares), e não sei se gosto muito da ideia.

 

3. Leitura de mentes: não é mais ficção científica
Os cientistas apostam que ter que se comunicar com os nossos aparelhos de maneiras arcaicas (tipo “tocando”) cairá em desuso rapidamente. “Daqui a muitos anos, será preciso apenas pensar em ligar para uma pessoa que isso acontecerá”. Talvez isso aconteça, mas demorará muitos e muitos anos e, como este vídeo aí mesmo avisa, a pesquisa atual está em interpretar os impulsos do cérebro para resolver limitações humanos (como o autismo, Parkinson ou paraplegia). E acho que nunca chegaremos ao “pense, aconteça”. Por um motivo simples: por enquanto, para captar nuances do cérebro precisamos de um bocado de sensores. Muitos mesmo: as pesquisas do Nicolelis com macacos (cérebros menos complexos) envolvem mil eletrodos na cabeça dos chimpanzés. No meu velho Nokia-lanterninha de emergência, “pensar numa pessoa e ligar” é uma coisa quase instantânea mesmo: basta segurar o botão 1 (no caso da minha namorada). Não acho que algum dia conseguiremos algo tão descomplicado assim.

Essas são as 3 mais interessantes. E as outras duas? A IBM ainda aposta que a tecnologia mobile irá fazer com que a desigualdade social diminua (o que faz sentido, vide o poder do SMS na África) e, por último, tem previsões bem malucas sobre como será o e-mail no futuro. Hoje os robozinhos de automação do Gmail só conseguem dizer o que é “importante” e o que não é. Em 5 anos, quando recebemos um alerta da banda que gostamos por e-mail, ele já irá marcar automaticamente no seu calendário e reservar ingressos. Com isso, “junk e-mail” viraria e-mail importante. Faz sentido.

As previsões mais malucas tendem a dar errado. No mesmo relatório, em 2006, a IBM previa que haveria uma “internet 3D” em 2011. Aparentemente não rolou, ou será que eu não recebi o convite? E vocês? Quais as suas previsões para a tecnologia em 5 anos? [IBM]