Há algumas semanas, a Sony impressionou os nerds da fotografia com algo realmente novo: duas câmeras mirrorless com lentes intercambiáveis e sensores de imagem full-frame, os mesmos chips usados em DSLRs profissionais. O design compacto é uma maravilha por si só, e após usar a câmera por alguns dias, posso garantir que sim, essas devem ser as câmeras mais impressionantes que vimos neste ano.

Por que devo me importar com “full-frame mirrorless”?

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Justo, são muitos jargões juntos, mas é fácil dissecá-los. Câmeras mirrorless – que ganharam destaque há alguns anos – não contam com um espelho para refletir a luz para um visor óptico da forma como as DSLRs fazem. Sensores full-frame, por sua vez, ganharam o nome por serem exatamente do tamanho de um quadro de filme de 35mm, e eles são maiores do que os sensores encontrados tipicamente em câmeras mirrorless. Em geral, um sensor maior significa mais área de superfície para o silício de absorção de luz, o que equivale a qualidade de imagem melhorada.

Um chip maior também significa uma câmera maior, e se você quer conseguir trocar lentes, isso significa uma câmera DSLR enorme (a Leica tem um sistema full-frame compacto também, mas é algo completamente diferente que cai custar todo o ouro guardado debaixo do seu colchão). Câmeras mirrorless anteriores eram como DSLRs encolhidas, e agora a Sony conseguiu encolher a maior das suas DSLRs.

Até este ponto, câmeras mirrorless e sensores full-frame eram mutuamente exclusivos para um pequeno e caríssimo nicho do mundo da fotografia. Agora, eles estão juntos em um pacote com preço razoável. A grande questão é: funciona?

Qual a diferença entre a A7r e A7?

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A Sony optou por lançar dois modelos diferentes da câmera simultaneamente, e ambos contam com corpos idênticos. A A7 e a A7r representam diferentes visões do que câmeras mirrorless full-frame podem e devem ser.

As diferenças centrais entre as duas está no preço, resolução, e desempenho de foco automático. A A7r, mais cara (US$ 2300 apenas o corpo), tem um sensor de 36 megapixels com uma arquitetura nova desenvolvida para otimizar os detalhes. A A7 (US$ 1700 apenas o corpo) tem um sensor de menor resolução – 24 megapixels – mas um sistema de foco automático muito mais avançado. (É bem parecida com a excelente A99, uma pseudo-DSLR do ano passado). As câmeras usam o mesmo E-Mount da linha de câmeras NEX da Sony. A abertura do E-Mount é quase grande o bastante para um sensor full-frame. Devemos considerar isso como uma simples coincidência ou um planejamento a longo prazo?

Observações após fotografar com a câmera por alguns dias

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Hardware

O corpo das duas câmeras é idêntico, e é quase perfeito. A câmera lembra um pedaço frio de magnésio da forma como câmeras boas devem lembrar, mas é leve e fina o bastante para você fotografar com apenas uma mão, mesmo com um vidro de 2,5 polegadas pendurado nela. Os botões são intuitivos, simples e funcionais, mas a função de customizar o botão no topo do painel é um pouco complicada.

E lembre-se, essas câmeras são mirrorless: o visor óptico tem uma tela pequena e de alta resolução que é nítido o bastante para você não se perder ao fotografar.

Fotografar com as duas câmeras é bem diferente

No geral, as câmeras são bem parecidas, mas fotografar com elas é uma experiência completamente diferente. De certa forma, a A7r e a A7 espelham a divergência nas DSLRs Full-frame – por um lado, temos câmeras em alta resolução amadas por fotógrafos de estúdio, como a Nikon D800. Por outro, temos câmeras versáteis como a Canon 5D Mark III.

A7r

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A A7r definitivamente é indicada para os fotógrafos pacientes, e não aqueles que querem correr para uma guerra e fotografar o máximo que puder. Seu sistema de foco automático detecta apenas o contraste, como um caçador que nem sempre encontra o ponto certo para caçar. Quanto menos luz, mais os elementos da lente vão para frente e para trás. Em um momento você chega ao ponto certo, mas aí descobre que a imagem não fica são nítida quanto esperava. Como observei no review da D800 de 36 megapixels, resoluções altíssimas podem prejudicar o foco das fotos.

Me frustrei com o foco automático rapidamente, e então mudei para o manual. Felizmente, ambas as câmeras contam com um sistema de foco que ajuda a ver a nitidez. Quando você toca rapidamente o obturador, uma sobreposição destaca os cantos dos objetos que estão sendo focados. É provavelmente o sistema mais suave deste que já vi, e adorei que você consegue escolher o brilho desse destaque.

O que mais? O obturador é barulhento. Muito barulhento. E percebi um pouco de lag, mesmo que não tenha cronometrado. Estamos acostumados com as câmeras da Sony e seus obturadores silenciosos, mas esta coisa faz parecer que você está perto de uma arma.

De acordo com a Sony, o motivo disso é que a câmera usa um obturador tradicional. A nova arquitetura de sensores não consegue suportar um obturador parcialmente eletrônico, como na linha Alpha.

A7

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A A7 é a versão mais rápida e amigável da A7r. Tem um contraste híbrido mais avançado – e um sistema de foco automático bem mais palpável comparado ao irmão maior. As imagens são nítidas em foco rapidamente; algumas vezes não imediatamente, mas nada como a A7r.

Ela é rápida o bastante para mudar a forma como você aborda os objetos que quer fotografar. Enquanto para conseguir o melhor da A7r você precisa parar, compor e confirmar o foco antes de fotografar, na A7 você pode andar a disparar – até certo ponto. Ela consegue fotografar um quadro a mais por segundo do que a A7r, então não é como se você tirasse seguidas fotos em pouco tempo.

Uma breve observação sobre as lentes

Em primeiro lugar, a Sony vai tentar vender lentes 24-70mm com a A7 por US$ 300 adicionais. Não aceite isso. Este kit de lentes em particular não funciona como supostamente deveria funcionar. Para ser mais claro, não vale a pena comprar câmeras de milhares de dólares se você vai usar as lentes padrão. Elas são especialmente importantes em câmeras de alta resolução, mas, no geral, são bem importantes em todos os tipos de câmera.

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Em segundo lugar, se você tem uma câmera Sony NEX perdida por aí, esta câmera funcionará com as lentes E-Mount – em partes. Ela vai mostrar um pouco da resolução full-frame, mas se você cortar ao tamanho APS-C, elas vão funcionar como os modelos antigos. A Sony está preparando um adaptador para lentes A-mount da linha de câmeras estilo DSLR da empresa.

Mas, é claro, também teremos uma linha de lentes E-mount full-frame. Nós usamos a nova 55mm f/1.8 Zeiss (US$ 1000, maravilhosa e nítida) e 35mm f/2.8 (US$ 800, ótima e pequena).

Em terceiro lugar, há um mercado próspero de adaptadores de empresas como a Metabones, que permite usar suas lentes Canon, Nikon ou outras nas suas câmeras Sony E-mount, e não nos surpreenderemos se os full-framers da Sony começarem a conversar com pessoas que têm diversas lentes Leica e não usam mais.

Testei a câmera em um lugar rodeado de pessoas com ótimas lentes, e foi divertido ver que a câmera foi compatível com quase tudo. Minha favorita foi a nova Carl Zeiss OTUS 55mm f/1.4. É enorme e custa US$ 4000, mas é capaz de foco excelente a apenas meio metro de distância. É mágica. Como esta foto, tirada com a Otus e a A7r. Poderia ser um pouco mais nítida, eu admito.

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Amostras de imagens

Eis alguns exemplos de fotos tiradas com as câmeras. Essas amostras foram cortadas – se você quiser os JPEGs em tamanho completo, eis os da A7r, e aqui estão os da A7.

Foi difícil me manter totalmente científico sob algumas condições, mas as amostras são bons indicadores do que você terá com essas câmeras.

A7r

Boa profundidade de campo com foco nítido. (55mm, ISO 100, f.3.5, 1/1250)

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Esta resolução de 36 megapixels pode fazer maravilhas. (55mm, ISO 160, f/3.5, 1/250)

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Grande ruído no topo da gama de sensibilidade padrão. (ISO 6400, f3.5, 1/100)

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A7

Um pouco suave para uma abertura super rápida, mas mantém o detalhamento. (55mm, ISO 100, f/1.8, 1/6400)

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Belos detalhes. (ISO 100 f/3.2, 1/125, -.7 ev)

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Novamente, o ruído é bem razoável para ISO 6400. (55mm, f/5.6, 1/50)

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Considerações finais

A A7r e a A7 são animadoras porque provam que câmeras mirrorless full-frame são possíveis. Ou, para ser mais preciso, é possível e prático montar uma dessas. Se vale a pena comprar uma dessas depende de como as imagens vão se sair em comparação com as principais competidores mirrorless do mercado, como a Olympus OM-D EM-1.

O mundo das câmeras precisa de uma nova categoria de produtos para substituir os dinossauros DSLR full-frame. Na semana passada, tanto Canon quanto Nikon cortaram as previsões de lucros para este ano, com a Canon admitindo que as vendas de DSLR estão caindo pela primeira vez desde 2003, ano em que ela lançou seu primeiro modelo para consumidores. O mundo ds câmeras procura algo novo, e pode ser isso. (Segundo rumores, a Nikon também está preparando câmeras mirrorless full-frame).

Em relação às câmeras, as duas têm suas fraquezas. Vamos precisar de muitos testes para ter certeza, mas acredito que seja equivocado classificar essas câmeras como “a boa e a ruim.” Você pode argumentar que a Sony não sabia qual câmera fazer. Considerando o histórico recente da empresa, é bem possível. Mas acredito que são apenas câmeras diferentes para fotógrafos diferentes.

A verdade é que muita gente, incluindo profissionais, não têm uso para a resolução que a A7r é capaz de conseguir. O foco automático problemático, os pixels sensíveis, e os tamanhos maiores de arquivos podem ser uma inconveniência. A A7 é mais rápida, e a diferença em qualidade de imagem é tão pequena que muitas pessoas não vão nem notar. Mas é claro, quem consegue ver a diferença é quem considera pagar milhares de dólares em corpo e lentes.