Para estimular a expansão da TV digital no Brasil, o Ministério das Comunicações definiu em 2011 a obrigatoriedade da instalação de um software livre brasileiro de interatividade nas TVs. Se trata do Ginga, que leva aos televisores funções e informações interativas durante a transmissão.

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Com a posse de Michel Temer (PMDB), fabricantes de aparelhos eletrônicos e operadoras de telefonia pedem ao governo o fim da obrigatoriedade. Segundo a Folha, a Eletros, associação que representa os fabricantes de aparelhos eletrônicos, enviou cartas a ministros pedindo o fim da exigência.

O antigo governo esperava que o Ginga funcionasse como um portal para serviços do governo à população. Entre as ideias estava a possibilidade de marcas criarem conteúdos interativos, permitir a marcação de consultas na rede pública de saúde, entre outros serviços. Porém, não há apps desenvolvidos para esses fins.

De acordo com Lourival Kiçula, presidente da Eletros, o Ginga representa R$ 50 no preço final de um aparelho de TV, impactando principalmente nos aparelhos menores. “O consumidor brasileiro paga por uma coisa que não usa,” disse à Folha.

Para as operadoras de telefonia, a preocupação não está diretamente relacionada ao custo dos serviços prestados, mas aos valores que precisarão ser gastos para fornecer conversores digitais a participantes do Bolsa Família. Em 2014, o governo fechou um acordo com as teles, antecipando a transição da TV analógica para a digital para liberar as frequências para redes de telefonia celular 3G. Em troca, as companhias se comprometeram a realizar essas doações.

Até 2018, as operadoras gastarão cerca de R$ 2,2 bilhões na compra de 12,8 milhões de conversores, que custam cerca de R$ 170 cada. Desse valor, R$ 10 ficam com empresas que desenvolvem o Ginga, as principais são a EiTV!, a Mopa e a Totvs.

[Folha]

Imagem: bykst/Pixabay.