Insetos não são a primeira coisa que vem à cabeça quando pensamos na Antártida, mas a descoberta de um besouro raro por lá mostra que o continente congelado já foi bastante diferente há alguns milhões de anos.

Grandes rachaduras na camada de gelo da Antártida Ocidental podem ser sinal do seu colapso

Pesquisadores da Universidade do Estado de Dakota do Norte e do Instituto Smithsonian, nos EUA, descobriram asas dianteiras fossilizadas de dois besouros extintos na geleira de Beardmore, próximo aos montes Transárticos. Eles representam os primeiros besouros terrestres já encontrados no continente congelado. Os besouros viveram há cerca de 14 a 20 milhões de anos, quando o continente era muito mais quente do que é hoje.

Hoje, os únicos insetos conhecidos na Antártida são três espécies de mosquitos que não voam. Insetos sofrem bastante naqueles lados do mundo devido às temperaturas baixas e à falta de vegetação e umidade.

Os autores do novo estudo dizem que o besouro provavelmente habitou regiões com areia e vegetação esparsa, ou riachos formados por água de gelo que derreteu. Os besouros, que podiam ou não ser capazes de voar, vivam ao lado de plantas.

Escrevendo no jornal de acesso aberto ZooKeys, os pesquisadores Allan Ashworth e Terry Erwin especulam que o besouro era descendente de uma antiga linhagem de besouros que no passado foram amplamente distribuídos por Gondwana, o supercontinente que unia o que agora é Antártida, América do Sul, África, Austrália e várias outras regiões geográficas. A descoberta dos insetos mostra traços do antigo ecossistema de Gondwana preservado na Antártida milhões de anos após a separação do supercontinente.

[ZooKeys]