A falha permanente do YouTube em garantir que seu produto não explore crianças motivou a Federal Trade Commission (FTC), Comissão Federal de Comércio dos EUA, a investigar a empresa.

De acordo com uma publicação do Washington Post na quarta-feira (19), a investigação da FTC sobre como o YouTube lida com as informações pessoais de seus usuários mais jovens está em seus estágios finais e foi desencadeada por reclamações de grupos de saúde e privacidade infantil. O YouTube se recusou a comentar sobre a investigação. Uma fonte disse ao Washington Post que o caso pode resultar em um acordo e multa.



Os executivos do YouTube também estão discutindo internamente como a empresa pode remediar seus problemas em relação aos vídeos de crianças. Além das acusações de que a empresa viola as leis de privacidade ao coletar uma grande quantidade de dados sobre esses jovens sem o consentimento dos pais, o YouTube também tem sido criticado por sugerir alguns vídeos bem horríveis para as crianças. Sem mencionar os erros absurdos de como seus algoritmos foram manipulados por pedófilos.

Como o Wall Street Journal noticiou na quarta-feira (19), esses são provavelmente um dos principais motivos de a empresa considerar tirar todos os vídeos de crianças do seu serviço principal e migrá-los para seu aplicativo YouTube Kids, bem como desativar o sistema de vídeos sugeridos que reproduz automaticamente o próximo conteúdo de uma lista gerada por algoritmos. Embora uma pessoa familiarizada com esses planos tenha dito que é improvável que os executivos adotem a ideia de remover completamente todos os vídeos infantis do YouTube, dada a enorme quantidade de conteúdo publicado na plataforma, informou o Washington Post.

“Uma investigação da FTC sobre o tratamento de crianças online pelo YouTube está muito atrasada”, disse o senador Ed Markey em comunicado ao Gizmodo. “Não é nenhum segredo que as crianças acessam o YouTube todos os dias, mas a empresa ainda precisa tomar as medidas necessárias para proteger seus usuários mais jovens. Tenho o prazer de ver relatos de que a FTC está trabalhando para responsabilizar o YouTube por suas ações.

“Mas precisamos fazer muito mais para garantir que nossas crianças estejam protegidas de perigos online conhecidos e desconhecidos. Nas próximas semanas, apresentarei uma legislação que combaterá os recursos de design online que coagem as crianças e criam maus hábitos, comercialização e marketing que manipulam as crianças e as direcionam à cultura do consumismo e à ampliação de conteúdo inadequado e nocivo na internet. É hora de os adultos interferirem e garantirem que os lucros corporativos não virão mais antes da privacidade das crianças”.