[io9] 10 tecnologias futuristas que nunca existirão

Parte do prazer de assistir ficção científica é ver todos os brinquedos legais, e imaginar como seria se eles existissem no mundo real. E muitos dos gadgets legais da ficção científica se tornaram realidade, incluindo os PADDs e comunicadores de Star Trek. Mas a triste verdade é que muitas das tecnologias mais fantásticas da ficção […]

Parte do prazer de assistir ficção científica é ver todos os brinquedos legais, e imaginar como seria se eles existissem no mundo real. E muitos dos gadgets legais da ficção científica se tornaram realidade, incluindo os PADDs e comunicadores de Star Trek.

Mas a triste verdade é que muitas das tecnologias mais fantásticas da ficção científica são fantásticas por um motivo – elas nunca poderiam existir de verdade. Eis aqui as 10 tecnologias mais sensacionais que nunca irão existir na vida real.

1. Sabres de luz

Além da inviabilidade óbvia desta arma – sem falar de quão perigoso seria ter uma dessas por perto – os sabres de luz de Star Wars muito provavelmente nunca existirão. O primeiro desafio de engenharia seria encontrar uma maneira de parar o feixe de luz a cerca de 60 cm da fonte. A luz simplesmente não funciona assim, a menos que exista algo para obstrui-la ou absorvê-la. Além disso, um feixe altamente concentrado de luz não seria capaz de cortar materiais, ou apresentar resistência quando estivesse golpeando outro sabre de luz. Portanto, assumindo que isso não é na verdade um sabre de “luz”, mas sim algum tipo de sabre de “raio de plasma” (um que esta disponível em uma deliciosa variedade de cores), mas o calor intenso iria provavelmente derreter a empunhadura – e consequentemente fritaria o Padawan. Há também a fonte de energia para levar em consideração; essas coisas são bem poderosas, refletindo lasers e cortando paredes sólidas de metal, então eles iria exigir algo substancialmente mais poderoso do que um par de pilhas AA. Uma fonte de energia tão pequena, portátil e poderosa não existe e nem pode existir.

2. Teletransporte humano

Uma coisa básica do universo Star Trek é a capacidade de teletransportar humanos de um local para outro. Segundo as lendas, Gene Roddenberry veio com essa ideia como uma alternativa para evitar filmar cenas caras envolvendo espaçonaves pousando e decolando. Mas essa ideia reduziu tanto o orçamento, quanto o bom-senso. Sim, o teletransporte quântico já foi demonstrado em laboratório – mas enviar dois fótons por distâncias variadas é bem diferente de teletransportar um corpo humano inteiro. Além disso, o esquema de teletransporte de Star Trek envolve o que é chamado de “cópia destrutiva”, o que significa que a pessoa original precisa ser obliterada (como é mostrado no episódio “Second Chances” da “The Next Generation”, quando dois Rikers são gerados por acidente). Então, mesmo que o teletransporte seja possível de alguma maneira, isso não resolve o problema de que você estaria entrando em uma máquina de suicídio. E por fim, os requisitos físicos e de energia para o teletransporte simplesmente não iriam viabilizar isso. O sistema teria que ser capaz de scannear instantaneamente, gravar e retransmitir todos os 1045 bits de informação que compõem o corpo humano, e então transmitir todos esses dados ao destino e finalmente compilar a pessoa sem que nenhuma única molécula fique fora do lugar. Eu deixo você ir primeiro.

3. Máquina do tempo

Graças a Albert Einstein, nós sabemos que viagem no tempo é possível. Se você pensar sobre isso, nós todos somos viajantes no tempo, inexoravelmente avançando em direção ao futuro, sem sequer ter que pensar sobre isso. Mas falando mais conceitualmente, as teorias de Einstein sugeriam que “wormholes” podem conectar duas diferentes regiões no espaço e tempo, potencialmente permitindo a criação de máquinas do tempo. Ok, ótimo – então sabendo disso, o que nós podemos fazer? Bem, de acordo com o físico Michio Kaku, nós precisaríamos extrair a energia de um buraco negro ou de uma estrela inteira – e é mais fácil de falar do que fazer. E então tem o desafio de estabilizar o buraco negro e garantir que a abertura (o ponto de entrada do wormhole) permaneceria aberta para a viagem de volta (alguém quer uma viagem só de ida para o passado?). Mas mesmo que a física esteja do nosso lado, a metafísica não está. O “paradoxo do avô” sugere que qualquer tecnologia que permita que você mate seu próprio antepassado não pode existir, porque quebraria o cosmos. Mas tem um paradoxo ainda mais difícil para levar em consideração: Se a viagem no tempo é possível, então onde estão todos os viajantes do futuro?

4. Viajar mais rápido do que a luz

Diferente de viagem no tempo, que pelo menos é (razoavelmente) viável do ponto de vista científico, sugerir que nós eventualmente seremos capazes de viajar mais rápido do que a velocidade da luz (FTL – Faster Than Light) é uma clara e presente violação da física Einsteiniana. O universo tem uma velocidade máxima conta a qual todos os processos lineares são medidos, incluindo a propagação de matéria e informação. Tem havido alguma especulação sobre a relatividade Einsteiniana que permite que partículas mais rápidas que a velocidade da luz existam, que são chamadas de táquions –mas conhecimentos recentes praticamente descartaram essa ideia. Primeiro, não há evidência para a existência deles. E segundo, eles não poderiam existir porque a presença deles iria permitir que se transferisse informação FTL – uma clara violação da causalidade. E, além disso, mesmo que eles sejam eventualmente descobertos, é improvável que nós possamos tirar vantagem do fenômeno táquion para criar uma dobra espacial ou propulsão de Alcubierre. Só a energia necessária para fazer isso já violam a plausibilidade – seriam necessários um equivalente a -1064 kg  de energia para o efeito – o que é mais do que a massa do universo inteiro! Por último, seria impossível para a nave enviar sinais para a frente da bolha FTL, o que significa que a tripulação não poderia controlar, conduzir, ou parar a nave – e isso seria um problema. E assumindo que haveria alguma maneira de parar a nave, a enorme emissão de raios gama e de partículas de grande energia iria aniquilar completamente qualquer um esperando no destino.

5. Geração Espaçonave

Com todo o respeito aos fãs de Robert Heinlein e Larry Niven, não tem nenhuma arca interestelar esperando por você no futuro. A ideia por trás da Geração Espaçonave é que, dada as extremas distancias entre os sistemas solares, e considerando as necessidades dos humanos, nós teríamos que construir uma espécie de Terra em um microcosmo que faria com que os nossos intrépidos astronautas se sentissem em casa conforme fizessem a sua jornada. Entretanto, o principal problema dessa visão de futuro é a gigantesca escala para uma expedição que deveria ser pequena, levando apenas o básico. Qualquer nave carregando colonizadores para outro planeta teria que ser extremamente restritiva em termos de recursos e materiais, fazendo a animação suspensa uma solução muito mais razoável para um grande grupo de colonizadores.  Não apenas isso, como a ética duvidosa de manter uma família em uma espaçonave, juntamente com o enorme período de tempo que isso iria demorar, evita que qualquer coisa do tipo seja realmente viável.

6. Escudo gravitacional

Escudo gravitacional (ou anti-gravidade) – que não deve ser confundido com órbita ou o balanceamento da força da gravidade com outra força como o eletromagnetismo ou aerodinâmica – é a ideia de criar um lugar ou objeto que não é afetado pelas forças da gravidade. Proposto inicialmente por H. G. Wells em seu clássico romance Os primeiros Homens na Lua como um método avançado de viagem espacial. Porém mostrou-se inalcançável, de acordo com gerações de cientistas. Por mais atraente que seja descobrir uma maneira de negar uma propriedade fundamental da matéria, essa pretensão terá que permanecer no campo da ficção científica. Novamente, é uma clara violação da física Einsteiniana. Mas isso não impediu que físicos e engenheiros tentassem, levando a experimentos como o “gravitator” de Thomas Townsend Brown nos anos 20 ou a técnica de acoplamento gravitoelétrico (1996) de Eugene Podkletnov, na qual ele alegava que um objeto pesava menos em um supercondutor que rotacionava – mas ambas eram só especulações e nunca foram provadas.

7. Campo de força pessoal

Apesar de ser plausível que uma espaçonave poderia eventualmente se rodear com uma camada protetora de plasma ou com uma poderosa força eletromagnética, a ideia de um campo de força pessoal é um problema totalmente diferente. A essência do campo de força é ou absorver ou refletir enormes quantidades de energia recebida. Consequentemente, ele teria que exercer uma força igual ou maior para evitar que a energia ultrapassasse o escudo (sim, eu sei – a física está arruinando tudo). A única força cosmológica adequada para um campo de força pessoal seria o eletromagnetismo, porque as outras forças, como a gravidade, são fracas demais ou ficam muito limitadas quando em distâncias curtas. Contudo, o problema com o eletromagnetismo é que ele só funciona em objetos carregados – e os seres humanos são eletricamente neutros. Além disso, mesmo que nós pudéssemos desenvolver um dispositivo que envolvesse a pessoa com um poderoso escudo, não haveria garantia que a pessoa dentro dele não seria frita pela coisa; seria impossível deixar o campo de forma omni-direcional.

8. Reanimação depois da suspensão criogênica

Um problema básico com o estado da criogenia hoje não é a ideia por trás disso, mas o método de preservação. Desde a publicação de Máquinas da Criação nós passamos a acreditar que a reanimação de um cérebro perfeitamente preservado um dia será possível, usando nanotecnologia molecular. Entretanto, um pressuposto crucial por trás desta teoria é que o cérebro precisa estar perfeitamente preservado, para evitar o que é chamado de “morte encefálica de informação teórica”. Para simplificar, se tiver muito dano nas células de seu cérebro preservado, não haverá como trazer você de volta. E infelizmente, todas as preservações criogênicas que foram feitas até agora tiveram problemas. Apesar do uso de crioprotetores sofisticados, todos os cérebros preservados foram severamente danificados durante o processo de congelamento. Também é muito provável que as células virem mingau durante o processo de descongelamento (a menos que os crioconservantes façam o seu trabalho – o que obviamente nunca foi testado). Mas isso não quer dizer que a reanimação a partir de outro método de preservação não seja possível eventualmente, tal qual plastinação do cérebro ou preservação química. Só que transformar corpos em picolés provavelmente não é a melhor maneira de fazer isso – mas como os criogenistas gostam de dizer, isso ainda é a segunda pior coisa que poderia acontecer com você.

9. Continuidade da consciência depois do upload

Apesar da perspectiva de transferir nossas mentes para supercomputadores ainda ser uma possibilidade remota, ainda não se sabe se nós seremos ou não capazes de transferir nossa consciência também. A maioria dos projetos de upload descreve a cópia de informação neural do substrato biológico para o digital – mas o que normalmente é ignorado é a questão de como uma pessoa pode de repente estar em dois lugares ao mesmo tempo. Cópia destrutiva (similar ao problema de teletransporte), ainda irá resultar em uma pessoa perfeitamente copiada que irá insistir com determinação que é o original – assim como as outras 50 cópias. Quanto à fonte original de consciência, ela deixaria de existir. É disso que se trata o “problema de continuidade de consciência”, e é uma grande discussão nas comunidades filosóficas, neurocientíficas e comunidades de Inteligência Artificial. Parte do problema é que nós ainda não desenvolvemos ciência para explicar a natureza da consciência, então ficamos apenas no campo das hipóteses. Como o futurólogo Jonh Smart falou ao io9, é provável que esse problema nunca seja satisfatoriamente resolvido. “Esta é uma questão que irá eventualmente começar a pegar conotações religiosas ou espirituais,” ele disse “as pessoas vão ter que dar um salto às cegas para saber a resposta.”

10. Processamento infinito de dados

Não importa quão sofisticadas nossas tecnologias do futuro se tornem, nós inevitavelmente teremos que encarar o fato que a morte do Universo irá subsequentemente resultar em nosso fim também. Mesmo as pessoas vivendo como uploads terão que eventualmente encarar seu próprio esquecimento – a verdadeira imortalidade cosmológica não será possível. Não haverá um ponto ômega, nem iremos desenvolver uma forma de computação que irá nos manter infinitamente. Mas isso não significa que iremos desistir sem lugar. Nossos descendentes provavelmente irão embarcar em séries de projetos de engenharia cosmológica para evitar o inevitável, como o cultivo de estrelas (para aumentar a expectativa de vida de estrelas) ou de alguma forma explorar o poder dos buracos negros. Há ainda a possibilidade de aumentar dramaticamente nossos clocks computacionais para subjetivamente extender o tempo restante que teremos. Mas nenhum desses artifícios será capaz de combater a morte do universo – nada pode escapar ao poder da entropia ou os devastadores efeitos de acelerar rapidamente a energia negra.

Imagens: technologijos.ltultraforcesabersKOBOL/Telegraphimmortalmusepcmag.comthe-leaping-lampWikipedia/MagafuzulatombsofkobolScreenedFutureTimelinediscovery-enterprise.

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