O grande físico Isaac Newton é conhecido por muitas coisas. As leis do movimento e a teoria da gravidade, por exemplo. Além disso, o cara inventou o cálculo, escreveu um tratado extenso sobre ótica, e se envolveu na alquimia por um tempo. Mas pouca gente sabe que, quando era um jovem estudante universitário, Newton tentou inventar a sua própria linguagem universal.

Aparentemente incomodava o jovem Newton o fato do significado das palavras ser determinado meio ao acaso. Ele pensou que seria muito melhor se existisse uma fórmula mais simples que permitisse às pessoas saber o que determinada palavra significa ao simplesmente ouvi-la. Como Newton descreveu: “Deixe os nomes dos mesmos tipos de coisa com as mesmas letras, como se os instrumentos começassem com s; as bestas com t; as paixões com b, etc.”

A linguista Arika Okrent e o ilustrador Sean O’Neill explicaram um pouco sobre isso para um vídeo do Mental Floss:

Quando Newton estava começando a faculdade, ele escreveu um rascunho de uma linguagem baseada na natureza das coisas, em vez de ser mera convenção. No plano de Newton, prefixos e sufixos indicariam variações sutis no significado das palavras. Seu exemplo mais bem trabalhado foi modificar o significado de “tor”, sua palavra para temperatura, para produzir significados mais específicos de excessivamente quente [owtor], bastante quente [awtor], quente [etor], indiferentemente frio [aytor] extremamente frio [oytor].

Newton está muito bem acompanhado em sua aventura linguística. Pessoas que criam novos idiomas como um hobby (bem sério) são chamados de “ideolinguistas”. O caso mais conhecido de idioma inventado é o Esperanto, de 1887.

Na maioria dos casos, no entanto, os ideolinguistas atuam no mundo da fantasia e ficção científica, onde idiomas artificiais são parte importante da construção do universo. Por exemplo, J.R.R. Tolkien inventou o idioma élfico para a trilogia O Senhor dos Anéis. David J. Peterson inventou a língua Dothraki para Game of Thrones da HBO, enquanto Mark Okrand criou a linguagem Klingon para Jornada nas Estrelas III: À Procura de Spock.

Esses idiomas fictícios normalmente contam com vocabulários limitados com algumas milhares de palavras, e os outros além do Esperanto – que é falado por 2 milhões de pessoas hoje, concentrados especialmente na Europa, Ásia oriental e América do Sul – não pegaram.

É verdade, uma tradução de Hamlet para o Klingon existe, e há uma comunidade pequena mas apaixonada de pessoas dedicadas a aprender o idioma Na’Vi, inventado pelo professor de linguística Paul Frommer, do Caltech, para o filme Avatar. Mas nenhuma delas até hoje se tornou popular.

O esforço de Newton não teve sucesso: percebendo que demoraria a vida inteira até concluir o projeto com pouca chance de sucesso, ele abandonou a tentativa e seguiu em frente para coisas maiores. Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural não iam ser escritos sozinhos.

[Laughing Squid]

Foto: Hulton Archive/Getty Images