Determinar a utilidade de um apetrecho milenar é sempre complicado. Vez ou outra, os cientistas encontram registros escritos ou visuais que indicam a funcionalidade da peça, mas essa não é a regra. 

Quando arqueólogos desenterraram conchas de búzios (um molusco marinho) presas a um anzol nas Ilhas Marianas, no oceano Pacífico ocidental, pensaram que se tratava de uma ferramenta utilizada para raspar a chamada fruta-pão. Um estudo recém publicado na revista World Archaeology sugere outra função.

Após examinar os artefatos, pesquisadores da Universidade de Guam concluíram que as conchas foram usadas pelo antigo povo chamorro para pescar polvos. A nova atribuição transforma o objeto de 3.500 anos na isca de pesca mais antiga já vista na história.

A foto traz uma isca de pesca feita com conchas de búzios e pedra pelo antigo povo chamorro.
Exemplo do equipamento completo usado por povos nativos havaianos. Abaixo, conchas de búzios encontradas nas Ilhas Marianas. Imagem: Universidade de Guam/World Archaeology/Reprodução

Os cientistas duvidaram do seu papel de raspador de alimentos devido a falta de borda serrilhada nas conchas. Esse é um detalhe importante que está presente em outras ferramentas com tal função. Além disso, as peças lembravam iscas encontradas em Tonga, que datavam de 3 mil anos atrás.

Resta apenas uma questão para os pesquisadores: o povo chamorro inventou a isca de pesca durante a época em que viveu nas Ilhas Marianas ou herdou a tradição de usar as conchas de seus ancestrais? Ainda não há resposta exata, mas como os cientistas não encontraram evidências da ferramenta em outros territórios habitados pelo grupo, sustenta-se a ideia do pioneirismo. 

O fato mostra aos pesquisadores que o polvo era um alimento importante o suficiente para esses indígenas, já que eles desenvolveram uma engenhoca complexa e até então desconhecida para pescar o animal. O artefato não só conta a história dos antigos hominídeos, como também indica a capacidade de adaptação destes povos ancestrais.