Há um ano, um cara decidiu testar a degradação de som e imagem que acontece quando você sobe um vídeo para o YouTube, então baixa o vídeo, e sobe ele novamente. Ele fez isso 1.000 vezes, e o resultado ficou psicodélico.

O processo é simples, como se você fizesse fotocópias de uma fotocópia várias vezes.

Toda vez que você sobe um vídeo no YouTube, os servidores do site o decodificam novamente. Codificar o vídeo significa adicionar mais compressão e remover detalhes menores da imagem e do som. Quando você faz isso uma vez, os detalhes perdidos não são notados, produzindo imagens artificiais. É assim que a compressão funciona: o vídeo fica menor em tamanho – e assim fica mais fácil transmiti-lo na internet – graças ao nosso cérebro e sua habilidade de ignorar pequenos detalhes perdidos. O cérebro – essa bela e perdoável máquina – completa os vazios que a compressão cria achando que você não vai perceber.

Este é o vídeo original no YouTube, que usa um formato de compressão básico chamado H.264:

O problema acontece quando você repete esse processo várias vezes. As imagens artificiais e a falta de detalhes caem de novo no compressor, que vai tirando mais e mais detalhes e adicionando novos probleminhas. Na segunda vez que você fizer isso, provavelmente você não vai perceber. Mas cada vez que o processo for repetido, mais informação é deixada para trás.

Aqui pode-se ver o vídeo no YouTube depois de 56 recompressões:

E aqui depois de 474 vezes:

E o resultado final, que é lindo, embora um pouco assustador e psicodélico demais. Quase impressionista. 

Canzona, o autor do vídeo, diz que seu trabalho é uma homenagem ao projeto artístico "Eu estou sentando em um quarto", de Alvin Lucier, que gravou sua voz em um quarto, depois deu play e gravou novamente, repetindo o processo até o efeito do eco distorcer sua voz completamente.

Quando começou o processo há um ano, Canzona imaginou que o resultado final seria uma mistura sem sentido de imagens digitais, com o som ficando bem mais claro, mas o resultado final ficou completamente diferente. [Ontologist]