Pela primeira vez na história, uma sonda móvel está ativa no lado oculto da Lua.

Às 22:22 horas, no horário de Pequim, da quinta-feira (3), o rover chinês Jade Rabbit 2 tocou a superfície da Lua, após deslizar lentamente ao longo de uma esteira que se estendeu pelo módulo de aterrissagem da Chang’e 4. O momento foi transmitido pela emissora estatal CCTV e retransmitido pela Associated Press.

O rover se instalou na Lua cerca de 10 horas depois que a nave espacial Chang’e 4 aterrissou na Lua.

É a primeira vez na história que uma sonda móvel está ativa no lado oculto da Lua – uma grande conquista para a Administração Espacial Nacional da China (CNSA, na sigla em inglês) e para o programa espacial do país.

“É um pequeno passo para o rover, mas um salto gigantesco para a nação chinesa”, disse Wu Weiren, designer-chefe do Projeto de Exploração Lunar, à CCTV. “Esse salto gigante é um movimento decisivo para a nossa exploração do espaço e para a conquista do universo”.

O discurso pode parecer ambicioso, mas o significado real da afirmação pode ser mal interpretado na tradução. Por “conquistar” o universo, Wu provavelmente aponta para o domínio crescente da humanidade sobre a natureza, e não sobre algum plano do estabelecimento de um império galático. Pelo menos esperamos que seja isso.

Imagem: Administração Espacial Nacional da China

Uma fotografia tirada pelo aterrissador do Chang’e 4 mostra o rover na superfície lunar com um par de marcas de trilha atrás dele. Imediatamente à frente há um buraco, que parece ser uma cratera.

Esta imagem, juntamente com outras tiradas logo após a aterrissagem, são as primeiras fotos em close do chamado lado oculto da Lua – que é chamado assim pelo fato de nunca estar virado para a Terra, já que o satélite natural tem rotação sincronizada com o nosso planeta. Não é tão correto dizer “lado escuro” da Lua, pois os raios do Sol também atingem a região.

Uma foto da superfície lunar tirada pouco depois da aterrissagem. Imagem: Administração Espacial Nacional da China/Xinhua News Agency via AP

Cada uma das seis rodas do rover é alimentada de forma independente. Isso permite que o Jade Rabbit 2 continue se movendo mesmo se uma ou mais rodas quebrarem de repente, conforme mostra a reportagem da AP.

O rover pode superar obstáculos de até 20 centímetros de altura e subir colinas não mais íngremes que 20 graus. Sua velocidade máxima é de cerca de 200 metros por hora.

Em 2013, a China levou o rover Yutu, ou Jade Rabbit 1, para o lado visível da Lua como parte da missão Chang’e 3. Foi a primeira aterrissagem suave de uma sonda na Lua desde a missão soviética Lunokhod 2, em 1973. No entanto, o rover Yutu perdeu a sua capacidade de locomoção após duas noites lunares.

Juntamente com o aterrissador Chang’e 4, o Jade Rabbit 2 irá coletar dados científicos para ajudar pesquisadores a estudar sobre as condições iniciais do Sistema Solar, procurar a potencial presença de gelo, investigar a relação entre os ventos solares e a superfície da Lua e saber mais sobre o crescimento de plantas em baixa gravidade, entre outros objetivos científicos, de acordo com a CNN.

Outra coisa legal sobre essa missão, como apontado pela AP, é que a CNSA utilizou uma tecnologia inovadora na qual a nave espacial Chang’e 4 escaneou autonomamente a superfície da Lua antes de pousar, selecionando o local mais seguro. Isso nunca foi feito antes.

Além de coletar dados científicos preciosos, a China também está fazendo alguns reconhecimentos e desenvolvendo as tecnologias necessárias para uma missão tripulada à Lua. Pequim já anunciou que pretende construir uma base na superfície lunar.

De fato, a China está começando a se afirmar como uma nação com capacidade espacial, e rapidamente está alcançando os Estados Unidos, a Rússia e a União Européia.

Pessoalmente, penso que é ótimo que outros países tenham entrado na corrida espacial, e se isso inspirar outros países a manter o ritmo e a desenvolver novas tecnologias, melhor ainda. Por vezes, um pouco de competição é uma coisa boa, desde que seja canalizada na direção certa.

[AP]

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