Jeff Bezos saiu-se muito bem esta semana. Sua apresentação anunciando o novo lineup do Kindle da Amazon foi divertida, memorável, e o mais importante, convincente. Ele vendeu bem o produto. E fazendo isso, ele deixou bem claro que ele é o nosso próximo Steve Jobs.

Bezos detonou no palco; ele era um leão na savana. Ele foi estiloso, espirituoso e inteligente, jogando bombas mentais como se elas fossem camisetas grátis. Ele cutucou os seus competidores (Oi, Apple!) sem parecer mesquinho. Tudo foi ensaiado em seus mínimos segundos, garantindo que não haveria grandes empecilhos ou imprevistos conforme as coisas fossem manuseadas no palco (Oi, Microsoft!). Ele também entrou e saiu. Ele falou o que precisava e então saiu do palco, sabendo que era melhor do que ficar falando e falando (Oi, Google!) até que todo mundo estivesse absurdamente entediado.

Ele também fez um bom trabalho com o sigilo. Claro, o Techcrunch sabia algumas coisa do Fire antes, e havia algumas previsões de quando o novo dispositivo e-ink seria lançado também, mas eu não acho que alguém estava esperando ver uma família inteira de novos Kindles. Ou que o novo tablet high-end iria custar meros US$ 200. Duzentos dólares!

E então quando tudo estava acabado, a imprensa, a grande opinadora que impulsiona as decisões de compra, estava completamente boquiaberta. Estava totalmente Jobsada, por assim dizer. Hipnotizada e atraída pelo fantástico Bezos.

Muito disso é devido à sua paixão. Você pode ver em seus olhos, cheios de zelo e beirando a loucura. Ele não está simplesmente enganando você, ele acredita naquilo. Ele sente com certeza que ele tem o produto certo, no tempo certo. E depois de observá-lo, você irá acreditar também:

http://www.youtube.com/watch?v=rm92Tnp953c

E ainda assim, ele não é apenas um vendedor. Ele parece com o antigo CEO da Apple em várias outras maneiras também. A mais óbvia é que ele é um fundador/CEO. A Amazon é dele. Sim, é uma empresa pública, mas ela vai para onde a visão dele levar. Ela segue sua mente pelos mercados. A Amazon é Jeff Bezos. Sem ele, a empresa ficaria à deriva.

Ele também sabe quando agir. A Amazon irá se fortalecer em todas as áreas quando ele perceber que pode chutar o status quo do caminho. A Amazon é uma rara gigante que pode articular; ela está tão pronta para agarrar novos empreendimentos que é fácil esquecer que ela uma vez foi uma simples vendedora de livros. Eu há muito tempo já argumentava que Bezos não recebe crédito o suficiente para a sua ambição ousada. Assim como Jobs, ele está deliciosamente disposto a correr riscos.

Ela passou de varejista para provedora de serviços online. Precisa guardar arquivos? O S3 da Amazon fará isso para você. Precisa hospedar certo poder de processamento? Tente o Amazon EC2. Hoje em dia tem tanta coisa da maldita web rodando nesses servidores que quando ele caiu esse ano levou o Netflix, Reddit, Foursquare, e vários outros com ele.

E também tem o Kindle. Bezos não esperou o mercado de ebooks explodir, ele o criou. Ele saiu e o criou, construindo desde a base o hardware, software e o conteúdo do ecossistema. (Como vai você, iTunes?).

Na verdade, a Amazon estava à frente da Apple em termos de construir um ecossistema. No dia que a Apple anunciou o iPod, ela entregou uma pilha de CDs com os iPods, porque era a única maneira de entregar dispositivos pré-carregados com música e ainda alcançar os termos de licenciamento da indústria. Isso foi cerca de um ano e meio antes da iTunes Store estar disponível online.

Você poderia comprar um livro para o seu Kindle no dia do lançamento do e-reader.

Além disso, os seus dispositivos eram consistentemente bons. Eles simplesmente funcionam. Sim, aquele primeiro Kindle era um pouco desajeitado e caro nos padrões atuais. Mas o primeiro iPod também era.

Mas você pode dizer que Steve Jobs não apenas focava na Apple. Ele tinha a NeXT e a Pixar; ele revolucionou a indústria de computação gráfica.

Verdade. Mas Jeff Bezos também começou uma segunda empresa. Ele irá até a lua. Pode esperar.