Jim Bridenstine deve abandonar a posição de principal administrador da NASA em breve. A justificativa do diretor é que ele não se ajusta para o cargo no governo de Joe Biden. Nomeado pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, o ex-congressista republicano trouxe contribuições relevantes para a agência espacial, apesar de seu histórico de negação das mudanças climáticas e da falta de formação científica.

Com isso, Biden, recém-eleito presidente dos Estados Unidos, ficará encarregado de escolher um novo nome para ocupar o cargo de Bridenstine, que teve um mandato de três anos como chefe da agência. As informações são de Irene Klotz, da Aviation Week.

Bridenstine disse a Klotz que sua decisão não foi motivada por política, e que uma nova liderança da NASA será exigida sob o governo Biden.

Os interesses da NASA e do programa de exploração espacial dos EUA serão mais bem atendidos por “alguém que tem um relacionamento próximo com o presidente dos EUA”, disse Bridenstine no último domingo (8), depois que ficou claro que Biden havia conquistado a presidência.

“Você precisa de alguém que tenha a confiança do governo, incluindo o Escritório de Gestão e Orçamento, o Conselho Nacional do Espaço e o Conselho de Segurança Nacional, e acho que eu não seria a pessoa certa para isso em um novo administração. Quem quer que seja o presidente, tem de ter alguém que conheça e confie e alguém em que o governo confie. Essa pessoa não vai ser eu”, afirmou.

O principal administrador da NASA fez os comentários direto do Kennedy Space Center, onde está se preparando para o lançamento da espaçonave Crew Dragon da SpaceX rumo à Estação Espacial Internacional nesta sexta-feira (13). Esta será a primeira missão oficial da NASA envolvendo um Crew Dragon tripulado.

O fato de Bridenstine não ser alguém em quem os democratas possam “confiar” é uma declaração justa. O ex-piloto da Marinha é o primeiro oficial eleito a ter sido escolhido para chefiar a NASA. Bridenstine serviu no primeiro distrito congressional de Oklahoma de 2013 a 2018. Republicano convicto, ele apoiou Ted Cruz em 2015. Em 2017, Bridenstine foi escolhido a dedo pelo por Donald Trump para liderar a NASA, com sua nomeação confirmada pelo Senado no ano seguinte.

Bridenstine negou a ciência do clima por muitos anos, até finalmente mudar de opinião em 2018. Na verdade, suas opiniões anticientíficas o tornaram uma escolha controversa para o cargo de chefe da agência espacial americana. Além disso, ele coleciona situações desagradáveis em seu currículo, incluindo visões retrógradas sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo e direitos dos transgêneros.

O mandato de Bridenstine como administrador da NASA levanta algumas questões muito importantes sobre sua posição e se nomeações políticas são mesmo apropriadas para a agência espacial.

Quanto ao futuro da NASA sob a administração Biden, isso ainda não está claro. Já estão surgindo especulações de que Biden priorizará o clima em vez do espaço e possivelmente atrasará as planejadas missões Artemis, que visam levar uma mulher e um homem à Lua em 2024. O cronograma foi estabelecido pelo presidente Trump — anteriormente, a NASA tinha como previsão o ano de 2028.