O Google está com projetos cada vez mais ambiciosos. Muito além de um buscador, um serviço de e-mail ou um sistema operacional para celular, o Google agora tem dois projetos que podem mudar a forma como vivemos: o Google Glass e os carros que não precisam de motorista.

Larry Page, co-fundador da empresa, falou sobre os planos do Google em entrevista à Wired e destacou a importância que ele dá a esses projetos do Google X, o laboratório que vai muito além do negócio principal e dos produtos que deram origem à empresa:

“Acredito que a gente precisa quebrar barreiras, não apenas melhorar as coisas em nossos negócios. Mas agora o Google X faz coisas que podem ser feitas independentemente.

Você sabe, nós sempre temos esses debates: nós temos todo esse dinheiro, todas essas pessoas, por que não fazemos mais coisas? Você pode dizer que a Apple faz apenas um pequeno número de coisas, e isso funciona muito bem para eles. Mas acho que isso não me satisfaz. Acho que temos todas as oportunidades do mundo para usar a tecnologia para melhorar a vida das pessoas. No Google estamos atacando provavelmente 0,1% desse espaço. E todas as empresas de tecnologia juntas atingem apenas 1%. Isso significa que tem 99% de um território virgem. Investidores sempre se preocupam “Oh, vocês vão gastar muito dinheiro nessas coisas malucas.” Mas são essas coisas que nós deixam mais animados – YouTube, Chrome, Android. Se você não faz algumas maluquices, então você está fazendo coisas erradas.”

Page explicou que as ideias do Google Glass e do carro que dirige sozinho não são novas – ele e Sergey Brin queriam eliminar a necessidade de um motorista em veículos desde que estudavam em Stanford, na época que criaram o buscador, mas só agora tiveram coragem – e dinheiro – para começar a colocar a ideia em prática.

Mas não é só de produtos malucos que o Google vive atualmente. Um bom exemplo é o Google+, a rede social lançada há um ano e meio e que , apesar de ter uma enorme base de usuários (já se aproxima de 500 milhões, segundo o Google), ainda não é exatamente um dos lugares mais movimentados da web. Mesmo assim, Page considera o produto bem sucedido e acha que o Facebook faz um trabalho ruim com seus produtos.

“Nós tínhamos problemas graves com a forma como nossos usuários compartilhavam informações, como eles expressavam a identidade. E eles [o Facebook] são uma empresa forte neste espaço [redes sociais]. Mas eles também estão fazendo um trabalho ruim com seus produtos. Para a gente ser bem sucedido, é necessário que outra empresa falhe? Não. Nós estamos fazendo algo diferente. Eu acho revoltante que digam que só há espaço para uma empresa nesta área. Quando nós começamos com a busca, todos diziam ‘Vocês vão fracassar, já existem cinco empresas de busca’. Nós dissemos ‘Nós somos um empresa de busca, mas estamos fazendo algo diferente’. É assim que enxergo essas áreas.

Estou muito feliz com o andamento [do Google+]. Estamos fazendo muitas coisas legais. E muita coisa já foi copiada por nossos competidores, então acredito que estamos fazendo um bom trabalho.”

E, ainda sobre projetos ambiciosos, Page falou sobre a compra da Motorola – e como até agora o que a empresa fez foi apenas continuar com a evolução natural dos smartphones, sem nada muito diferente do oferecido pela concorrência. Pelo jeito, a ideia é continuar assim.

“Como dissemos quando compramos a Motorola, nós vamos deixá-la independente, e Dennis Woodside está no comando. Mas é isso o que queremos fazer com a Motorola e o que Dennis quer fazer. Tem muito espaço para inovação em hardware. Os telefones que usamos agora têm telas que todo mundo se preocupa que vão quebrar caso você derrube o aparelho. Em cinco ou dez anos, isso será diferente. Vamos ter muitas mudanças”

Mas ele não disse como acha que serão essas mudanças.

Page comentou outras coisas durante a entrevista – o temor do Google da internet passar a ser regulada, o episódio dos mapas da Apple e o sucesso do Android. Se você quiser, pode ler a entrevista completa em inglês no link a seguir: [Wired]