Nossas fantasias de um holodeck como a Sala de Perigo dos X-Men estão um passo mais próximas da realidade graças a um novo dispositivo óptico-acústico descrito na última edição da revista Optics Express. Ele pode manipular feixes de laser em tempo quase real usando nada mais que ondas sonoras.

Luz modificadaDesenvolvido por uma equipe colaborativa de pesquisadores das Universidades de Bristol e Dundee — liderada pelo Professor de Ultrassônico Bruce Drinkwater, de Bristol — o dispositivo em formato de mesa emprega uma matriz de 64 elementos piezoelétricos para gerar uma parede de sons em alta frequência poderosa o bastante para dobrar e alterar qualquer luz que passe pelo seu campo acústico. Mais importante: esse campos de som e luz podem ser controlados (em tempo quase real) pelo software de comando do sistema, de forma que as mudanças na saída de áudio afetam também o caminho da luz.

“A reconfiguração pode acontecer extremamente rápido, limitada apenas pela velocidade das ondas sonoras. A principal vantagem desse método é que ele potencialmente oferece taxas de atualização muito altas – milhões de atualizações por segundo agora são possíveis,” explicou Drinkwater em comunicado à imprensa. “Isso significa que no futuro, dispositivos baseados em feixes de laser poderão ser reconfigurados muito mais rápido do que é atualmente possível. Antes, o mais rápido que conseguíamos era alguns milhares de atualizações por segundo.”

Esse salto gigantesco na especificação poderá abrir a tecnologia para aplicações novas e únicas. Lasers em formatos específicos já desempenham inúmeras funções — como pinças ópticas e estabilizadores de imagens para microscópios poderosos –, embora a tecnologia atual ainda use espelhos físicos e deformáveis (como a lente adaptativa do observatório Gemini, mas menor).

Controlando os lasers com ondas sonoras, o sistema poderia facilmente ser ampliado para aplicações do tamanho de pessoas. “O dispositivo tem potencial para ser abordado muito mais rapidamente do que dispositivos holográficos já existentes, como em moduladores de luz espaciais, e também permitirá que lasers muito mais poderosos sejam usados,” continuou Drinkwater. “Isso abre possibilidades para aplicações como modelagem a laser no processamento de materiais, ou mesmo mais velocidade ou poder aos feixes de luz para comunicações ópticas no espaço livre usando o momento angular orbital para aumentar o sinal da largura de banda, como foi recentemente demonstrado em Viena.”

Infelizmente, ainda não há previsão para quando, exatamente, teremos nossos holo-phones tipo de Star Wars. De qualquer forma, é um avanço incrível para a ciência. [University of Bristol via R&D Mag]

Imagem: Itana